Consumo tem caído ano a ano, no País e no mundo

11/08/2006

Consumo tem caído ano a ano, no País e no mundo

 

 

Embora o feijão seja um dos alimentos básicos da dieta dos brasileiros, nos últimos anos tem havido queda constante no consumo per capita do produto. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), no Brasil, o consumo per capita do grão caiu 11,9% entre 1975 e 2002 (de 18,5 quilos para 16,3 quilos per capita/ano), ante uma queda no consumo per capita mundial de 18% no mesmo período, de 2,8 quilos/ano em 1975 para 2,3 quilos/ano em 2002.

A queda no consumo tem preocupado os especialistas da cadeia produtiva do feijão, que consideram como possíveis causas a substituição por fontes de proteína de origem animal e o êxodo rural, além da mudança de hábitos alimentares com o crescimento de fast foods, além de flutuações de oferta e preços e a demora para o preparo do produto.

Segundo o pesquisador Alcido Elenor Wander, da Embrapa Arroz e Feijão, um dos desafios da cadeia produtiva do feijão é encontrar novas oportunidades de mercado para o produto. “No mercado interno, poderíamos reforçar o valor alimentar do grão, por meio de campanhas de conscientização junto aos consumidores, para estimular o consumo.” Outra opção apontada por Wander é o mercado internacional.

Segundo levantamento realizado por pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, com base da FAO, nos últimos 30 anos (1975-2004), a produção brasileira de feijão em grão aumentou de 2,282 milhões de toneladas para 3,054 milhões de toneladas, um crescimento de 33,8% no período, graças ao aumento da produtividade média de 550,5 quilos por hectare para 757,2 quilos por hectare.

Mesmo com o aumento da produção e a redução do consumo per capita, Wander afirma que a produção de feijão é insuficiente para atender à demanda do País, cujo abastecimento é suprido por importações, especialmente do feijão preto, no total de US$ 20 milhões anuais. “Além de alcançar a auto-suficiência em feijão, o Brasil deve realizar estudos para identificar as preferências de importadores como Índia, Japão, Cuba e Itália, visando à abertura das exportações”, sugere.