Entidades definem nova classificação
Após meses de indefinição quanto à nova classificação do fumo, representantes de entidades ligadas aos produtores e indústrias chegaram a um consenso ontem pela manhã. Reunidos com integrantes das comissões técnicas da Câmara Setorial do Fumo em Brasília, eles concordaram em estipular 41 categorias para o produto. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), defendia 32 classes, enquanto o Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo) apoiava 48 subdivisões. A sugestão acatada foi apresentada por representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em um mês, segundo ficou acertado, será detalhada a nova classificação, definida por comissões técnicas representativas dos dois setores. Depois disso haverá uma consulta pública promovida pelo governo federal. "Chegamos a uma proposta intermediária que, embora não atenda aos interesses dos produtores, representa um avanço nas negociações", disse o presidente da Câmara Setorial, Romeu Schneider. Segundo ele, o objetivo é que os novos padrões passem a ser adotados na safra 2006/2007, que já começou a ser cultivada. Entre as sugestões está a criação de uma classe chamada N, que reuniria o fumo não incluído nas demais 40 subdivisões apresentadas. "A forma como isso vai acontecer ainda depende de novas avaliações", explicou. Embora também não tenha conseguido que a proposta do Sindifumo fosse a escolhida, o presidente da entidade, Iro Schünke, considerou positiva a reunião. Segundo ele, a resolução é importane para atender às exigências do mercado. Um dos pontos positivos destacado pelo dirigente diz respeito à possibilidade de novas alterações na classificação, caso haja necessidade. A REUNIÃO DA CÂMARA SETORIAL Diversificação - O assessor do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Adoniran Peracci, garantiu aos participantes da reunião que o governo vai liberar os recursos do Programa de Diversificação Produtiva em áreas cultivadas com fumo. Ao todo estão previstos R$ 10 milhões para pesquisas que buscam alternativas de culturas paralelas a do fumo para o Rio Grande do Sul. Os valores, oferecidos por causa da ratificação da Convenção Quadro para Controle do Tabaco, estavam retidos por causa do processo eleitoral. Entretanto, Peracci garantiu que não há motivos para que não ocorra o repasse, pois as entidades beneficiadas não são ligadas ao governo. Contrabando - Foram apresentadas 10 propostas para combater o contrabando e falsificação de cigarros. Dentre as medidas sugeridas estão a fiscalização junto às fronteiras do País. O objetivo, de acordo com os participantes da reunião, é reduzir os prejuízos causados pela comercialização do produto irregular. Relacionamento - A reunião da Câmara Setorial do Fumo continua hoje no Mapa e contará com a apresentação de um diagnóstico do setor. Serão apresentadas informações quanto ao retorno econômico proporcionado pela fumicultura e perspectivas para o futuro a partir da ratificação da Convenção-Quadro.