Florescimento e frutificação de lichieiras - Parte 3 (Seagri)

14/08/2006

Florescimento e frutificação de lichieiras - Parte 3

 

Floração

 

Para comparar o efeito do anelamento sobre a floração, foi considerada a floração total por árvore, no ano de 2003, em que foram realizados os anelamentos, e em 2004, para observar o efeito residual dos tratamentos. Em 2003, que foi de baixa floração para a cultivar Bengal, verifica-se que houve diferença estatística entre tratamentos, sendo que o anelamento em ramos principais, com 59 % de floração, foi superior à testemunha e ao tratamento em ramos de 2 cm de diâmetro, que apresentou a menor floração. Estes resultados são semelhantes aos relatados por Li & Xiao (2001), que observaram o efeito positivo do anelamento sobre o florescimento. Em 2004, ano de alta floração em geral, houve incremento importante no florescimento em todos os tratamentos, com diferença estatística em favor do tratamento de ramos principais e testemunha. Isto indica que o anelamento, em ramos principais, não interfere com o florescimento num segundo ano. Apesar do efeito na floração, não se observou qualquer influência dos tratamentos nos comprimentos das inflorescências terminal e subterminal.

 

 

Frutificação

 

Em relação ao total de frutos vingados por inflorescência, não se observou diferença estatística entre tratamentos, e os ramos com anelamento apresentaram, em média, 20 frutos por inflorescência, o que é considerado como um bom resultado; para a cultivar Bengal, reporta-se uma variação de 1 a 50 frutos por inflorescência (Menzel & Kernot, 2002). A época de colheita é um parâmetro de grande importância, já que tem uma estreita relação com o preço de venda dos frutos, e os tratamentos com anelamento anteciparam significativamente a colheita, apresentando uma diferença de até três semanas entre o tratamento de ramos principais e a testemunha. A explicação desta diferença pode estar no acúmulo de fotoassimilados na parte aérea, como foi reportado por Li & Xiao (2001). Na época em que o experimento foi conduzido, essa diferença em época de colheita resultou num incremento para o produtor de R$ 5,00 por kg de fruto vendido. Em função da produção obtida, nos ramos anelados, estimou-se o rendimento total da planta, o que, quando comparado com o da testemunha, revelou diferenças marcantes entre os tratamentos, sendo que, nas plantas com anelamento, nos ramos principais, obteve-se um rendimento 200% maior que o da testemunha, seguido pelos tratamentos com anelamento de ramos de 4 e 6 cm de diâmetro, respectivamente.

 

Para as características físicas dos frutos, não se observou diferença estatística entre os tratamentos, a massa do fruto apresentou uma variação de 20,37 a 22,07 g, os diâmetros, longitudinal de 36,77 a 39,45 mm e equatorial de 32,19 a 33,26 mm. Estas observações são semelhantes às citadas por Menzel & Kernot (2002), para frutos de lichia ’Bengal’, o que significa que o anelamento de ramos não altera as características físicas dos frutos. Para o teor de sólidos solúveis totais, houve diferença estatística significativa a favor da testemunha, que pode estar relacionada ao número de frutos fixados por árvore e por a testemunha ter menor frutificação. Quanto menor a quantidade de frutos, maior a disponibilidade de reservas para cada um deles e, portanto, o teor de sólidos solúveis totais pode ser maior, além de que os frutos da testemunha foram colhidos de uma a três semanas mais tarde do que nas plantas aneladas, por o que permanecem mais tempo nas plantas.