Oferta cai e preço do mamão dispara
Os consumidores de mamão estão gastando pelo menos 25% mais para comprar a fruta. E a previsão é que os preços se mantenham elevados ao longo deste mês. Na semana encerrada em 7 de agosto, o produto registrou aumento de 70,1%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base nos preços praticados em sete capitais.
Em São Paulo, na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o quilo do mamão havaí subiu 40% nos últimos 30 dias, tendo alcançado R$ 3,06 na sexta-feira. No mesmo período, o mamão formosa se valorizou 25%, para R$ 1,58 por quilo.
Segundo Flávio Godas, economista da Ceagesp, o volume mensal de entregas caiu 40% desde julho, por conta da escassez de oferta na Bahia e no Espírito Santo, principais fornecedores da fruta. Em média, a Ceagesp recebe por mês 5 mil toneladas de mamão formosa e 9 mil toneladas de mamão havaí.
As noites de inverno mais frias que o normal no Espírito Santo e na Bahia provocaram estresse climático nas plantas. O resultado foi a demora no amadurecimento dos frutos e o atraso na colheita, que deveria ter alcançado seu pico em julho. Por conta desse atraso, os preços pagos ao produtor explodiram no mês passado.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP), o preço médio no Espírito Santo subiu 650% em relação a julho de 2005, para R$ 0,60 por quilo. No oeste da Bahia, o preço médio subiu 281%, para R$ 0,61 por quilo e, no sul do Estado, subiu 375%, para R$ 0,57 por quilo.
Segundo Cloves Ribeiro Neto, engenheiro agrônomo do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), outro fator que reduziu a oferta no mercado interno foi o aumento das exportações, com a aprovação pelo governo dos EUA da importação de mamão papaya da Bahia e do Rio Grande do Norte.
No primeiro semestre, os embarques aos EUA cresceram 12,5%, para 2,7 mil toneladas, e 15,7% em receita, para US$ 2,2 milhões. As exportações totais cresceram 6,59% em valor, para US$ 15,542 milhões. Em volume, houve queda de 6,74%, para 17,961 mil toneladas. "Os embarques também foram prejudicados pelos problemas da safra", observa Ribeiro. A expectativa é que o aumento das temperaturas neste mês acelere a colheita e a oferta disponível volte ao nível normal. (Cibelle Bouças)