Febre aftosa provoca atrito diplomático com Uruguai
Vizinho reclama de agência brasileira, que afirma que doença vem do Paraguai
A febre aftosa provocou um conflito diplomático entre Brasil e Paraguai, às vésperas de o Ministério da Agricultura divulgar resultado de exame que pode apontar a volta da doença em Mato Grosso do Sul, em área próxima à fronteira dos dois países. O primeiro foco na região surgiu em outubro do ano passado.
A ministra das Relações Exteriores do Paraguai, Leila Rachid, enviou na semana passada uma carta ao ministro brasileiro Celso Amorim (Itamaraty) reclamando de ações da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), de Mato Grosso do Sul, que aponta o território paraguaio como a origem dos focos de febre aftosa.
A ministra reclamou do secretário estadual de Produção e diretor-presidente da Iagro, João Cavalléro.
"Ele incitou certos cidadãos [brasileiros] que estão morando no Paraguai, os chamados "brasiguaios", a fazer uma declaração de que existe um surto de febre aftosa [em território paraguaio]. Por isso, a ministra enviou uma carta ao chanceler brasileiro para que maneirassem", disse o segundo secretário da Embaixada do Paraguai no Brasil, Carlos Closs.
O Itamaraty informou que o ministro ainda não respondeu à carta da ministra paraguaia.
O Senacsa (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal) do Paraguai diz que não há casos de febre aftosa em território paraguaio.
"Nunca deixei de acreditar que há aftosa no Paraguai", afirmou Cavalléro. Ele disse que, há um mês, a Iagro "recebeu uma denúncia" de que existiam casos da doença em propriedades de brasileiros localizadas no Paraguai.
Conforme o secretário, eram três pecuaristas que possuem terras em Mato Grosso do Sul e também no país vizinho.
"Avisamos que, se novamente fosse introduzida [a doença] no Brasil, nós iríamos cobrar a responsabilidade desses produtores", afirmou Cavalléro.
"Nas propriedades deles aqui no Brasil, nós inspecionamos todos os animais. Informamos para evitarem o trânsito de pessoas entre as propriedades no Paraguai e no Brasil que poderiam estar carregando o vírus [da aftosa] no sapato e nas roupas", afirmou o secretário.
Focos
Após o sacrifício de 35 mil cabeças de gado desde outubro de 2005, a aftosa ainda não está descartada nos municípios de Eldorado, Japorã e Mundo Novo (MS), região de fronteira com o Paraguai.
Há 60 dias, em 382 propriedades, ocorreram coletas de 7.148 amostras em animais para exames. Desse total, 175 amostras, ou 2,3%, deram resultado positivo, disse o superintendente federal da Agricultura, José Antônio Felício.
HUDSON CORRÊA