Vendas do Bertin aos EUA são suspensas
Às vésperas da chegada de uma missão veterinária dos Estados Unidos ao país, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a habilitação do frigorífico
A suspensão, restrita à unidade industrial de Lins (SP), foi decidida na última sexta-feira a partir de reclamações do governo dos EUA em relação às condições do produto do Bertin. "Foi um problema de transporte da carga. Eles informaram a ruptura de algumas latas e o vazamento do produto", diz o diretor de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do ministério, Nelmon Oliveira. Nenhum porta-voz da empresa foi encontrado para comentar a suspensão.
O ministério defende não ter havido problemas relativos a controles e procedimentos da empresa. "Não foi perda de controle do processo dentro da fábrica, mas apenas problemas de logística", afirmou o coordenador-geral de Programas Especiais do Dipoa, Ari Crespim dos Anjos. A questão será discutida com a equipe de auditoria dos EUA. "Vamos mostrar a eles o que houve e esperamos rapidez na solução do caso". Até 12 de setembro, a missão inspecionará oito abatedouros, fábricas de termoprocessamento de carne bovina e um laboratório de microbiologia.
O ministério tomou a medida para antecipar-se a um eventual descredenciamento pelo governo dos EUA. A exclusão da lista de exportadores pelos americanos poderia significar pelo menos um ano fora do mercado que compra 40% do produto brasileiro. A planta também teria que passar por nova auditoria dos especialistas americanos. Com a suspensão pelo ministério, a unidade do Bertin poderá voltar a embarcar seus produtos em até 90 dias. Em 2005, os EUA compraram US$ 205,7 milhões do produto do Brasil. Neste ano, as vendas já somaram US$ 167,4 milhões até julho.
O episódio do Bertin relembra problemas ocorridos no ano passado. Em abril, a missão dos EUA descredenciou da lista de exportadores as unidades do
Os EUA cobraram, sobretudo, a contratação de inspetores federais, destinação de mais recursos para a área, treinamento, capacitação de pessoal, modernização e mais investimentos em laboratórios. Em 2005, os americanos visitaram as plantas de
Mauro Zanatta