Criadores estão apostando no feno
O uso de ração animal a partir da fenação – preparação do feno com aproveitamento de restos de colheitas – está ajudando criadores de caprinos e ovinos no norte do Estado. A prática oferece alternativa de alimentação para a criação e ajuda a economizar dinheiro.
A inauguração, na semana passada, do projeto Pulmão Verde, em Ponto Novo, deu início a um trabalho que permitirá aos criadores associados ao Programa Cabra Forte, do goveno do Estado, produzirem ração técnica de feno a preço subsidiado.
Em uma área de 100 hectares, foram plantadas 52 toneladas da gramínea Tifton 85, variedade de capim de alta qualidade.
A iniciativa atraiu criadores de Juazeiro, Curaçá, Ponto Novo, Paulo Afonso, Glória, Santa Brígida, Rodelas, Valente, São Domingos.
Um deles, Raimundo Nunes, 60 anos, com 100 cabeças de cabras, bodes e ovelhas na Fazenda Macambira, na região de Curaçá. Segundo ele, a alimentação do seu rebanho é com razão à base de milho.
“‘Gasto R$ 500 a cada três meses com a compra de 20 sacas de milho e o retorno não compensa”, afirma, dizendo que vende carne e queijo de cabra, resultado do trabalho feito com a esposa e um filho.
Sua esperança é alimentar o rebanho com pouco dinheiro e produzir feno em sua propriedade. Para outro criador, Valdemar José dos Santos, 60 anos, com 200 cabeças de caprinos e ovinos na Fazenda Papagaio, também na região de Curaçá, isso já é uma realidade: “Só me falta um poço artesiano para chegar a produzir meu feno”, diz.
“Já tivemos muitas dificuldades financeiras, mas hoje minhas despesas caíram mais de R$ 500. Em 2004, cheguei a comprar até 100 sacos de ração e este ano não ultrapassou os 30 sacos”, explica.
Segundo o agrônomo Rubens dos Santos, cerca de 1.300 criadores de Curaçá estão interessados em adotar a tecnologia de fenação.
Na avaliação do presidente da Cooperativa de Produtores de Feno do projeto Cabra Forte, Sebastião Carvalho, o projeto tem importância, pela possibilidade de oferecer feno no período de chuvas.
O agrônomo e coordenador da Secretaria da Agricultura do Estado, Luiz Miranda, esclarece que os pré-requisitos para plantio de capim e produção de feno são: água, solo e clima. “Se os criadores estiverem em áreas onde tenham bom solo, água por perto, baixa pluviosidade e muito sol, é certa a produção de feno”.
Segundo ele, o capim tifton é o chamado top de linha, mas os criadores da região semiaacute;rida baiana têm à sua disposição vegetação abundante como o capim buffel e a braquiária, gramíneas nativas.
Além disso, podem fazer feno também usando folhas encontradas na região e que são alimentos de grande riqueza para os animais.
Márcio Irivan Passos, presidente da Associação de Criadores do povoado de Cacimba do Silva, diz que já trabalha com o feno como alimento do rebanho, e também criadores do distrito de Itamotinga, em Juazeiro. “Mas todos querem aprender mais, conhecer as novas tecnologias existentes, que podem ser aplicadas como alternativa para alimentar a criação, ainda mais em épocas em que não se tem feno.” PRODUÇÃO – A implantação da área de produção de feno tem início com a preparação do solo, que acontece seguindo alguns passos, cita o agrônomo Lenard Abaité de Oliveira, que é responsável pela equipe técnica do Pulmão Verde, em Ponto Novo: retirada da mata nativa, aragem do terreno, aplicação de calcário para correção da acidez do solo, nivelamento do solo, abertura de sulcos e, por fim, plantação de mudas do capim.