Setor já movimenta R$ 6 bi

28/08/2006
Setor já movimenta R$ 6 bi
 

Fenômeno recente no País, a economia solidária – marcada pela autogestão de empresas e negócios, desde a vendedora de pano de prato à indústria produtora de vagões – exibe números de gigantes.

Dados recém-levantados pelo Ministério do Trabalho revelam que essas firmas, tocadas pelos próprios trabalhadores em associação, estão movimentando por ano cerca de R$ 6 bilhões, cifra equivalente a 50% do que é esperado de lucro em 2006 para a Vale do Rio Doce.

O número de famílias que sobrevivem graças à renda gerada por 1,250 milhão de empregados e cooperados também é robusto.

São quase 4,5 milhões de pessoas que se alimentam, se vestem e pagam suas contas graças às atividades da economia solidária.

No Brasil, há hoje cerca de 15 mil empreendimentos nesta categoria, que atuam em setores como agricultura familiar, produção de roupas, catadores de lixo e até na fabricação de navios. Além disso, do total de empresas solidárias, só 825 – 5% do total – produzem para consumo próprio de seus associados.

Muitos produtos desse segmento já atingem o mercado externo, como os da Ecocitrus, no Rio Grande do Sul, produtora de frutas cítricas. A Rede Abelha, que reúne apicultores em Natal (RN), também está exportando, assim como uma associação sisaleira, de Feira de Santana (BA), que vende seus objetos de sisal no exterior.

Um dos pontos fortes da economia solidária é a recuperação de empresas falidas, que passam à administração de seus ex-empregados.

As “recuperadas” são minoria, cerca de 200, entre as firmas solidárias.

Mas são as grandes do setor, como metalúrgicas, fabricantes de vagões e chapas de aço. Respondem sozinha pela circulação de R$ 600 milhões por ano. O salário médio dos 12 mil trabalhadores das “recuperadas” é de R$ 766, o dobro do conjunto da economia solidária. Para efeito de comparação, a renda média dos empregados informais em julho, nas seis maiores regiões metropolitanas do País, era de R$ 681. E a dos que trabalham por conta-própria, R$ 800,60. O empregados formais recebem R$ 1.044,90.

A Cooperativa Mineira de Equipamentos Ferroviários (Coomefer), que produz vagões em Conselheiro Lafayete (MG), é um dos exemplos de empresa recuperada.

Surgiu em 2001, com a falência da Companhia Industrial Santa Matilde, tem 205 sócios e 45 empregados com carteira assinada. O faturamento em 2005 chegou a R$ 15 milhões, resultado da produção de 360 vagões e da reforma de outros 1.500. Para o secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, as falidas hoje administradas por ex-trabalhadores formam a “elite da economia solidária”.

# 4,5 milhões de pessoas são sustentadas pelo setor

 
EVANDRO ÉBOLI E RONALDO D’ERCOLE