Restrição à carne dá prejuízo de US$ 16 bi

30/08/2006

Restrição à carne dá prejuízo de US$ 16 bi

Perda com problema sanitário pode ser maior, pois dados são de 2004

Os problemas sanitários com suínos e bovinos, como a febre aftosa, deixam o Brasil fora de mercados que, somados, dão mais de US$ 16 bilhões. A cifra pode ser até maior. Esse valor está baseado em dados de 2004 de países selecionados que eram totalmente fechados às importações dessas carnes brasileiras ou que ameaçavam se fechar caso novo foco de febre aftosa aparecesse, como ocorreu posteriormente.

"De lá para cá o cenário mudou para pior", disse ao Estado o especialista em assuntos sanitários do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), Rodrigo Lima, autor da pesquisa na qual constam os valores de 2004 com Sílvia Helena Galvão de Miranda e Fabrizio Galli.

"Com os casos novos, 58 países impuseram restrições, ora fechando somente Mato Grosso do Sul, ora Mato Grosso, Paraná, São Paulo, ora o País todo. Mas depois alguns países retiraram as restrições."

A área de defesa e vigilância sanitária não aparece entre as principais da política agrícola por destinação de recursos. Conforme dados do Ministério da Fazenda que constam do estudo Gastos públicos em agricultura: retrospectiva e prioridades, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de José Garcia Gasques, Eliana Teles Bastos e Carlos Monteiro Villa Verde, em 2005 foram destinados R$ 92 milhões para Defesa Sanitária Animal, R$ 14,6 milhões para Defesa Sanitária Vegetal e nada para a de Vigilância Sanitária.

É muito pouco comparado ao potencial dos mercados que estão fechados a exportações brasileiras e em relação ao que recebem os quatro grupos que, somados, concentram 89,14% dos recursos para a política agrícola: o programa de Desenvolvimento da Economia Cafeeira (R$ 1,275 bilhão); o Programa Nacional de Agricultura Familiar (R$ 1,782 bilhão), o programa de Produção e Abastecimento Alimentar (R$ 2,874 bilhões) e o apoio administrativo, incluindo o pessoal do ministério, com R$ 1,587 bilhão.

Adriana Chiarini