Fechamento de madeireira gera protesto no sul (A Tarde)

31/08/2006

Fechamento de madeireira gera protesto no sul

 

Cerca de 200 trabalhadores da Madeireira São Gabriel, no município de Camacan (distante 526 km ao sul de Salvador), bloquearam a BR-251, na entrada para a cidade, na manhã de ontem, na tentativa de evitar a passagem de veículos do Ibama e da Polícia Federal (PF), que foram retirar todo o maquinário do local. “Queremos trabalho”, gritavam os manifestantes, que tocaram fogo em pneus, derrubaram árvores e a atravessaram na pista, mas patrulheiros da Polícia Rodoviária Estadual e Federal, que estavam na área, liberaram a pista.

A ação de ontem dos funcionários do Ibama e dos agentes federais deu continuidade à Operação Vinhático II, realizada segundafeira. Na operação foram apreendidos três caminhões com 50 metros cúbicos de madeira, extraída ilegalmente da Mata Atlântica, numa madeireira de propriedade do vereador Luiz Malta (PTN), presidente da Câmara Municipal de Camacan.

Outros 50 metros cúbicos de carvão feito com madeira da floresta foram apreendidos na carvoaria que funciona na Madeireira São Gabriel, do empresário José Édson Batisti. O clima no local é muito tenso.

DESCONHECE –O empresário diz que não sabe do que está sendo acusado, nem o crime que cometeu.

Ele conta que na segunda-feira recebeu fiscais do Ibama em sua empresa, que a vistoriaram e nada disseram. Em seguida, foi ao Fórum de Camacan, para falar sobre a carvoaria, que ele aluga a um homem, conhecido como Trator, para fazer a limpeza, queimando as sobras do trabalho na serraria. Ele tem o contrato do aluguel.

Batisti também foi à Polícia Federal, em Ilhéus, onde prestou depoimento sobre a carvoaria, pagou fiança de R$ 194 e foi liberado. Na manhã de ontem, os funcionários do Ibama e da PF voltaram e apreenderam todo seu maquinário. O empresário diz ainda que foi autuado e multado em R$ 1.431, por causa de pouco mais de três metros cúbicos de madeira, dos quais é fiel depositário e já havia sido autuado antes.

Empresário em Camacan, há 22 anos, Batisti afirma que já havia fechado a serraria e que a madeira com que trabalha no fabrico de esquadrias vem de Rondônia e do Pará, como provam as notas fiscais e a Autorização de Transporte de Produto Vegetal (ATPF) que mostrou aos fiscais.

Os cinco caminhões com o equipamento retirado da madeireira, por mandado de busca e apreensão, foram levados para a Ceplac, que ficou como fiel depositário.

Para lá vão também a madeira e o carvão apreendidos durante a Operação Vinhático II, que ainda estão sendo contabilizados.

Segundo fiscais do Ibama, há mais de dez autos de infração contra José Édson Batisti, por trabalhar com madeira da Mata Atlântica.

Ainda conforme os fiscais, Batisti era fiel depositário de 104 toros de madeira, mas metade ele já havia serrado. Batisti tem licença para usar madeira comprada na Amazônia, mas os fiscais dizem que ele insiste em misturar também madeira da Mata Atlântica.

Por isso perdeu a chance de trabalhar legalmente. Na operação, foi flagrada madeira da Mata Atlântica serrada no forno de carvão.

* O Ibama está notificando a área para embargo e o empresário Édson Batisti ainda vai ser autuado para responder por crime ambiental, segundo o Artigo 46 da Lei 9.605/98.

Além disso, Batisti infringiu o Artigo 205 do Código Penal, descumprindo embargos anteriores, segundo informam fiscais do Ibama e agentes da Polícia Federal.

ANA CRISTINA OLIVEIRA