Friboi nega cartel e confirma fábrica no RS
O presidente do frigorífico Friboi, José Batista Júnior, confirmou ontem que em seis meses iniciará a construção de uma planta voltada para o mercado externo com capacidade para abater 1,2 mil bovinos por dia em São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. As negociações com o governo gaúcho, que concederá incentivos fiscais ao empreendimento, acontecem há quase um ano, e a decisão foi anunciada ontem depois de uma reunião entre o empresário e o governador Germano Rigotto no parque da Expointer, em Esteio.
Ao mesmo tempo em que anunciava a nova planta, Batista Júnior disse que a empresa ainda não foi notificada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade) sobre a recomendação da Secretaria de Direito Econômico (SDE) para a condenação do Friboi e mais sete frigoríficos por formação de cartel na definição do preço da carne pago aos pecuaristas. Segundo ele, "no Brasil não existe cartelização nenhuma" porque o Friboi absorve 10% do abate nacional e as oito maiores empresas do setor, apenas 35%.
A unidade de São Borja deverá ser construída em 18 meses e será planejada para dobrar de produção na medida em que haja disponibilidade de matéria-prima. A planta, que vai empregar 2 mil pessoas, exigirá investimentos de US$ 60 milhões a US$ 80 milhões. O Friboi vai buscar financiamento no BNDES para até 70% do valor total. O projeto será executado mesmo sem o empréstimo, afirmou o empresário.
Conforme Batista Júnior, a unidade deve exportar carne in natura para Europa e Rússia e carne industrializada aos EUA. A nova planta fica a 400 e a 600 quilômetros dos frigoríficos da empresa na Argentina, o que facilitará o intercâmbio de produtos para industrialização entre elas.
O Friboi abate 4 milhões de cabeças de gado por ano, sendo 3,6 milhões nas 18 unidades no Brasil e o restante na Argentina, que já vende carne in natura para os EUA. Para a instalação da nova planta, o governo do Rio Grande do Sul concederá os benefícios fiscais previstos no programa Fundopem-Integrar: durante até oito anos de operação o frigorífico terá um desconto de até 75% no ICMS a recolher.
O saldo acumulado será pago no mesmo período de aproveitamento do incentivo, após até cinco anos de carência, com correção e juros reduzidos. O benefício poderá incluir ainda um desconto de até 63% nas parcelas a pagar, informou a Secretaria de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do governo (Sedai). A prefeitura local cedeu o terreno para a obra.
Sérgio Bueno