Mais um frigorífico de Feira inicia abate e vai exportar (Jornal A Tarde)

04/09/2006
Mais um frigorífico de Feira inicia abate e vai exportar
 

Três meses após o primeiro abate industrial de avestruz em Feira de Santana, pelo frigorífico Baby-Bode, um segundo abatedouro, o Frigorífico Campo do Gado, inicia o mesmo serviço. Em parceria com a Cooperativa dos Produtores de Avestruzes da Bahia (Coopstruthio), vai abater 44 aves amanhã.

A Coopstruthio é a maior cooperativa de criadores do Estado.

São 37 produtores, reunidos em núcleos nas regiões de Irecê, Várzea Nova e Pojuca, formando um plantel de 1.051 fêmeas reprodutoras, com capacidade anual de produzir 16 aves para abate, segundo Lúcio Bahia, presidente da c o o p e ra t i va .

Ele informa que o abate comercial começará na semana que vem, com 100 animais, e ocorrerá sempre às terças-feiras. “Às terças-feiras o frigorífico será exclusivo para avestruz”, acrescenta. Até março de 2007, a previsão é de abater 8 mil avestruzes. “A ave fica pronta para abate em um ano, e os demais animais do nosso plantel serão destinados à reposição de matrizes e à venda”, informa.

Às segundas-feiras, os avestruzes sairão das fazendas de origem e seguirão em caminhões (de transporte de gado) para Feira de Santana, local do abate. O primeiro lote virá da região de Irecê. O segundo, de Catu e Alagoinhas. A partir do terceiro lote, dos demais cooperados do Estado.

A carne do avestruz será levada para Salvador, onde a empresa Boni Alimentos ficará responsável pelo processamento das peças. Os cortes serão vendidos em supermercados e distribuídos para restaurantes e hotéis. A partir de novembro, a carne passará a ser vendida em São Paulo, informa o presidente da cooperativa.

As demais partes da ave de grande porte também serão aproveitadas após o abate em Feira de Santana. “Vamos participar de um balcão de negócio no Rio de Janeiro, para venda de plumas para o Carnaval do ano que vem”, conta Lúcio Bahia.

Para a venda do couro, a Coopstruthio firmou contrato de exportação com empresas da Coréia do Norte, Japão e México. A pele curtida de primeira custa entre US$ 230 e US$ 250, a depender do país e da qualidade do couro, segundo Jorge Thomas, diretor da Leatherjet, empresa de comércio de couro situada em Araçatuba, São Paulo.

O material é usado para a fabricação de bolsas, cintos, carteiras, botas e pastas. O couro da pata do avestruz também é vendido, com cotação em torno de U$ 5 a U$ 7, ainda conforme Jorge Thomas.

As vísceras do avestruz são a outra parte do animal que a serem aproveitada pelos criadores da Coopstruthio, segundo o presidente Lúcio Bahia: “Os cooperados inventaram a receita do sarapatruz: um sarapatel com as vísceras do avestruz”, detalha. As vísceras serão vendidas nos supermercados em embalagens de um quilo.

Os filiados à cooperativa estão se preparando para expor na Fenagro, em dezembro. “Sempre promovemos um leilão de animais vivos, mas em 2005, com a mudança de data para janeiro deste ano, preferimos cancelar nossa exposição, uma vez que esse é um período de férias”, justificou Lúcio