Produtores brasileiros temem perdas no mercado de carnes (A Tarde)

04/09/2006

Produtores brasileiros temem perdas no mercado de carnes

 

Até então animados com a perspectiva de um crescimento em torno de 7% no setor este ano, suinocultores brasileiros ficaram assustados com uma possível queda na importação de carne suína do Brasil, anunciada por economistas e diretores da Agroceres PIC, empresa multinacional que atua no melhoramento genético de suínos.

“Focos recentes da febre aftosa em bovinos no Mato Grosso do Sul fizeram com que 62% do mercado mundial se fechasse para a carne suína brasileira”, disse Fernando Antônio Pereira, diretor-superintendente da Agroceres. A Rússia adquire 63% da carne suína do Brasil e, junto com países como Ucrânia e Romênia, está em busca da auto-suficiência da produção e são rigorosos e precavidos quanto à sanidade da carne.

O alerta foi dado durante o 7º Seminário Internacional de Suinocultura, promovido pela Agroceres PIC, em parceria com a Agroceres Nutrição Animal, entre 23 e 25 passados, em Costa do Sauípe.

Cerca de 600 proprietários de granjas, técnicos, presidentes de associações e cooperativas de produtores, atentos aos rumos do setor, participaram do encontro sobre o comércio da carne de porco.

Os suinocultores não gostam da denominação “porco”, preferem “suíno”. Mas, é por porco que a maioria da população conhece o mamífero de pele geralmente rosada, focinho característico.

A carne de porco, ou suína, é a mais consumida em todo o mundo – representa 43% do total – e o Brasil é o quarto produtor mundial, atrás do Mercado Comum Europeu (MCE), Estados Unidos e Canadá.

Em termos de rebanho, a China está na frente, seguida dos Estados Unidos, MCE e Brasil.

Durante o seminário, palestrantes fizeram apresentações sobre técnicas de melhoramento da qualidade da alimentação dos suínos e expuseram também medidas para evitar doenças. No ano passado, o Brasil tinha um plantel de 1,4 milhão de matrizes (fêmeas reprodutoras) tecnificadas (criadas sob as regras de órgãos fiscalizadores e destinadas ao grande consumo), enquanto que as matrizes de sobrevivência somavam 937 mil.

CARNE MAGRA – O cuidado com a saúde dos suínos também foi discutido no seminário de Costa do Sauípe. Segundo o professor Carlos Augusto Mallman, da Universidade Federal de Santa Maria (RS), um dos palestrantes do evento, o Brasil está avançado em termos legislativos no combate às micotoxinas que atacam os grãos, alimento dos suínos. “A indústria foi rápida ainda, e o País já tem um sistema de monitoramento de micotoxinas”, contou o professor.

Os criadores também são cuidadosos.

Quando enviam animais para exposições, preferem não correr o risco de contaminação do rebanho. “Os animais, na volta, são sacrificados, a fim de evitar que sejam trazidas doenças”, explicou Júlio César Melo de Farias, dono da granja Criacisal, em Simões Filho, um dos cinco baianos que participaram do seminário.

“Muitas associações de produtores já fizeram campanhas para desmitificar a falta de sanidade dos suínos e difundiram receitas culinárias com o produto”, informou Fernando Pereira, diretor da Agroceres, falando para A TARDE Rural. Mesmo com a prática de medidas de saúde pelos produtores, os brasileiros ainda são poucos receptivos à carne de porco, embora se tenha notado um aumento no consumo nos últimos anos.

No início da década de 2000 estava em 6,5 kg/per capita. Hoje, está em 12,6 kg por habitante. "O consumo nacional foi de 625 mil toneladas em 2005, ou seja, 23% do que o País produz", de acordo com Fernando Pereira.

"O oeste da Bahia é uma área com grande potencial de expansão da suinocultura, por causa dos grãos (alimento para o animal) em abundância e proximidade de portos" Fernando Antônio Pereira, diretor-superintendente da Agroceres PIC

JAIR FERNANDES DE MELO