Diminui o ritmo dos embarques de soja em agosto
As exportações brasileiras de soja em grão recuaram no mês de agosto, refletindo a redução do comércio do produto no mercado interno com o fim da colheita. Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) com base nos dados da Secex aponta que, na segunda quinzena de agosto, os embarques somaram 853 mil toneladas, ante 1,18 milhão em igual período do ano passado.
No ano, entretanto, os embarques cresceram 20%, devido à safra maior que em 2004/05 e à preferência de importadores pelo grão, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). De janeiro a agosto, os embarques somaram 19,532 milhões de toneladas, ante 16,274 milhões em igual período de 2005.
O porto de Santos liderou os embarques, com expansão de 4% no volume exportado, para 5,888 milhões de toneladas. O porto de Paranaguá (PR) registrou queda de 21%, para 3,261 milhões de toneladas. Segundo a Anec, a queda deve-se ao fato de o porto ter apenas um berço para transbordo de transgênicos.
No período, a maior expansão ocorreu no porto de Rio Grande (RS), que registrou aumento de 600% nos embarques, para 2,491 milhões de toneladas - alta devido à boa colheita de soja no Estado e à procura do porto em lugar de Paranaguá para entrega do grão geneticamente modificado.
Renato Sayeg, analista da Tetras Corretora, observou que, com o fim da safra brasileira e a entrada da colheita americana - que tradicionalmente pressiona as cotações internacionais - , as indústrias passam a operar em ritmo mais lento no país.
Ele observa que os preços do grão negociados no mercado interno não acompanham as variações da bolsa de Chicago. No porto de Paranaguá, por exemplo, o preço médio da saca tem se mantido estável em R$ 30 há um mês.
Por conta da redução no nível de esmagamento e da constatação pelo mercado de que a safra foi menor que o previsto inicialmente, a Abiove reduziu sua estimativa de produção brasileira de soja em grão para 55,7 milhões de toneladas no ano comercial que vai de fevereiro deste ano a janeiro de 2007. A estimativa anterior era de 56,1 milhões de toneladas.
A entidade também reduziu a estimativa de processamento, de 28,2 milhões para 27,8 milhões de toneladas. O volume de exportação ficou mantido em 25,2 milhões de toneladas. A Abiove reduziu ainda a estimativa para produção de farelo em 150 mil toneladas, para 21,5 milhões de toneladas. A previsão para o óleo foi reduzida em 50 mil toneladas, para 5,3 milhões toneladas. As exportações de farelo somaram 9,385 milhões de toneladas, ou 76% do previsto para o ano. As entregas de óleo somaram 1,76 milhão de toneladas, ou 80% do total previsto para o ano. (CB)