Adubo e água na dose certa para as plantas

11/09/2006

Adubo e água na dose certa para as plantas

 

A fertirrigação é uma técnica que integra fertilização (ou adubação) e irrigação. Mais recomendada para a floricultura e fruticultura, a técnica é difundida em países como Israel e Espanha, onde os frutos são destacados pela elevada qualidade e as lavouras, pela alta produtividade.

Na Bahia, o método é usado em plantações de maracujá e manga, nos municípios de Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio, além do programa Flores da Bahia, do governo do Estado, em Maracás, Bonito e Barra do Choça.

De acordo com o engenheiro agrônomo Diógenes Barbosa, especialista em fertirrigação e assessor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para o Flores da Bahia, a fertirrigação tem a vantagem de nutrir a planta de maneira mais eficiente, de acordo com suas características genéticas.

Isso, aliado a uma prática de irrigação igualmente monitorada.

Diógenes destaca que, no método de adubação, a assistência técnica recomenda aplicação de fertilizantes de três a quatro vezes por ano, a partir de critérios predeterminados pelos tipos de solos e lavouras, usando as épocas de chuva. "Mesmo com o desenvolvimento das técnicas de irrigação, não houve o incremento nos métodos de fertilização", afirma.

"Com a fertirrigação, podemos dar os nutrientes na medida da necessidade de cada fase de vida da planta", diz o engenheiro agrônomo.

Solúveis, os fertilizantes (e até mesmo inseticidas e outros produtos) são colocados na água e chegam até a planta por um dos diversos tipos de irrigação: preferencialmente o gotejamento e a microaspersão, por causa da economia de água. Mas, métodos mais dispendiosos, como o pivô central e a aspersão convencional, também podem ser utilizados, embora não sejam muito recomendados.

Diz Bernardo Van Raij, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que os nutrientes indicados para a fertirrigação são nitrogênio e potássio. “O fósforo pode ser adicionado, mas deve ser o do tipo solúvel, senão entope os tubos”, detalha. Ele ressalta que os fertilizantes utilizados em excesso podem poluir os recursos hídricos.

A fertirrigação, pelo uso racional dos adubos, reduz esse risco.

Utilizando aparelhos que funcionam como pequenos laboratórios portáteis, os técnicos em fertirrigação medem a quantidade de nutrientes presentes no solo e analisam como anda o "cardápio" da planta. "Depois, é como se aplicássemos uma injeção dos devidos nutrientes na veia da planta", compara Diógenes.

PRODUTIVIDADE – Com a técnica que une água e nutrientes na dose e períodos certos, a produtividade aumenta consideravelmente, assegura o técnico. Isso porque, além de diminuir o espaçamento entre as plantas, o fruto se desenvolve em condições ideais de suprimento de suas carências de elementos que o solo não supre.

"Em uma lavoura de maracujá, por exemplo, onde se costuma plantar de 500 a 600 plantas por hectare, técnicas mais avançadas de irrigação permitem que esse número chegue de 1.500 a 2.000 pés", afirma, a partir de constatações que ele mesmo fez em campos em que presta assistência. Os municípios da região de Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio são líderes na produção de maracujá e ficam atrás da região de Juazeiro na produção de manga.

Mônica Teixeira, do programa de fruticultura do Sebrae para o pólo de Livramento e Dom Basílio, explica que o manejo da irrigação permitiu a economia de energia elétrica na região e a fertirrigação elevou a qualidade dos frutos.

A técnica agrícola Cristiane Freitas, que trabalha para o programa Flores da Bahia em Maracás, relata que a fertirrigação está dando bons resultados nas estufas da região. Rosa e gérbera são as duas flores que atualmente recebem a fertirrigação, mas os produtores já pensam em ampliar para outras espécies. “Quem entrou antes da fertirrigação na estufa, vê uma coisa bem mais bonita, a produtividade quase dobrou”, conta.

Na região, o método de irrigação utilizado é o do gotejamento e a fertirrigação substituiu a adubação de cobertura e a lanço. Os floricultores de Maracás utilizam na adubação sulfato de amônia, sulfato de magnésio, cloreto de potássio branco e nitrato de cálcio. Os produtos são comprados em Jaguaquara, município que fica próximo a Maracás.

Outro resultado de destaque da fertirrigação foi a lavoura do café irrigado no cerrado. Com a introdução da irrigação de precisão, o salto quantitativo foi de 1.200 a 1.500 plantas por hectare para de 5 mil a 10 mil plantas na mesma área, de acordo com o engenheiro agrônomo Diógenes Barbosa.

Jair Fernandes de Melo