Commodities Agrícolas
Início da florada
Os preços do café no mercado paulista fecharam com ligeiro recuo ontem. A saca de 60 quilos do grão tipo arábica encerrou a R$ 229,57, queda de 0,1% em relação a sexta-feira, segundo o índice Cepea/Esalq. Em relação aos últimos 30 dias, os preços registram baixa de 1,07%. Nos últimos 12 meses, contudo, acumulam valorização de 1,85%, segundo o Cepea/Esalq. O mercado está atento ao período de chuvas previsto para as próximas semanas por conta do início da florada nos cafezais. Na semana passada, os preços internacionais do grão caíram por conta do frio mais ameno nas regiões produtoras do Brasil. Os analistas estavam na expectativa de que o clima frio pudesse prejudicar as lavouras. "Mas o frio não foi tão intenso", disse Rodrigo Costa, da Fimat Futures.
Pouca oferta
A oferta escassa de milho ajudou a sustentar os preços do grão no país. Em Maringá (PR), o preço médio da saca subiu 3,5%, para R$ 14,50, segundo a Safras&Mercado. Eduardo Sarmento, analista da consultoria, observa que há pouco volume da safra de verão a ser comercializada e os grãos disponíveis são de qualidade inferior. "De modo geral, houve poucos negócios no mercado interno", diz. Segundo o Cepea/Esalq, a ocorrência de geadas no sul do país não afetou a safrinha do Paraná. O Deral calcula que 75% da área já foi colhida no Estado. No Rio Grande do Sul, o plantio da safra de verão atinge 15% da área prevista, ante 18% em igual período do ano passado. A Emater-RS informa que o frio não prejudicou as lavouras. Em Campinas, a saca subiu 0,36% ontem, para R$ 17,34.
Mercado travado
Os preços da soja registraram leve recuo ontem nas principais praças do país. "Foi um dia meio morto. Todos esperam a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA", disse Flávio França Júnior, analista da Safras&Mercado. Há expectativa de que o Departamento de Agricultura eleve a projeção para a safra de soja americana, o que também motivou a queda de preços na bolsa de Chicago ontem. No Brasil, houve poucos negócios. "Só o produtor que está desesperado vende neste momento", disse, observando que os preços seguem pressionados pelo câmbio e pela retração das cotações no mercado externo. No oeste do Paraná, o preço médio da saca recuou 1,1%, para R$ 27. No Mato Grosso não houve negócios e o preço de referência baixou 0,4% no dia, para R$ 22,70 a saca.
Colheita pressiona
Os preços da saca do açúcar fecharam novamente em queda no mercado paulista, pressionados pelo avanço da colheita de cana no centro-sul do país, região responsável por cerca de 85% da produção nacional. Ontem, a saca de 50 quilos fechou a R$ 37,91, com recuo de 0,8% sobre sexta-feira, segundo o índice Cepea/Esalq. Os países produtores de açúcar, sobretudo o Brasil, também foram vendedores no mercado internacional, o que ajuda a pressionar as cotações no mercado doméstico, segundo Alexandre Oliveira, da Fimat Futures. A colheita de cana do Nordeste teve início há duas semanas. Em Alagoas, maior produtor de cana do Nordeste, a safra está estimada em 26 milhões de toneladas, segundo o Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Alagoas (Sindaçúcar/AL).