Exotismo vira arma para fazer consumidor comprar flores

12/09/2006

Exotismo vira arma para fazer consumidor comprar flores

Produtores já desenvolvem no Brasil as espécies criadas no exterior, como cravos verdes

Produtores brasileiros de flores ampliam a oferta de espécies exóticas para atrair consumidores. Rosas e cravos verdes, antúrios cor de chocolate e gérberas com miolos preto, verde ou multicor estão entre as novidades. Muitas das novas espécies, antes importadas, começam a ser desenvolvidas no País, numa parceria entre produtores e laboratórios de melhoramento genético.

O produtor Arnaldo Reijes, de Munhoz (MG), se encantou, há dois anos, com uma espécie de cravo verde que viu numa exposição na Holanda. De volta ao Brasil, encomendou 10 mil mudas, mas elas não foram para a frente. Ele insistiu e trouxe nova remessa, desta vez de outra espécie mais resistente, que recebeu tratamento diferenciado no plantio e vingou.

Recentemente, o cravo verde começou a ser vendido no mercado. O maço com uma dúzia custa cerca de R$ 6. "É diferente e chama muito a atenção", afirma Reijes, que há 20 anos cultiva cravos. Ele produz cerca de 4,5 milhões de hastes por ano e diz que, apesar da novidade, as vendas estão mais concentradas nas espécies tradicionais, vendidas por aproximadamente R$ 5 o maço.

"Nos últimos dez anos houve declínio no mercado de cravos em todo o mundo, mas este ano está ocorrendo uma reação", diz o produtor, para quem o mercado de flores precisa de novidades constantes. Para o ano que vem, ele prepara o lançamento no Brasil da protéia, flor de origem africana. Ele importou mudas de 20 espécies que estão em teste de plantio. Reijes acredita que apenas quatro delas serão lançadas comercialmente.

Na busca constante por novidades, Guilherme Hendrikx, maior produtor de gérberas no País, introduziu em sua plantação, na cidade de Holambra (SP), espécies com variações nas cores do miolo em preto, verde e vermelho. Na flor tradicional, o centro é branco.

O custo da muda, antes importada, era de R$ 4, incluindo imposto e transporte. Hoje está em R$ 2,50 por causa da nacionalização do laboratório que fornece mudas para cultivo.

LABORATÓRIO

Em dezembro, começou a funcionar em Holambra, na região de Campinas (SP), uma filial do Laboratório SBW, que há 30 anos atua na Holanda na área de assessoria e serviços para empresas de melhoramento genético, desenvolvimento de novas espécies, pesquisas tecnológicas, serviços de propagação e erradicação de doenças nos setores de floricultura, florestais e frutas tropicais.

"O laboratório propaga espécies desenvolvidas em vários países, um material limpo, sem doenças e com custo menor do que o da importação direta", informa Conny Maria de Wit, diretora de marketing para a América Latina do SBW. Entre produtos já em produção estão, além das gérberas, antúrios cor de chocolate e verde com borda vermelha e orquídeas do tipo phaleapsis (normalmente brancas) na cor lilás.

O SBW traz legalmente mudas de plantas modificadas e faz clones para serem vendidos aos produtores. O laboratório tem capacidade para 8 milhões de mudas ao ano. O Brasil abriga a terceira filial do SBW, depois da Macedônia e de Gana.

Amostras do que o Brasil produz estão na Expoflora, maior exposição de flores da América Latina, que ocorre até o dia 24, de quinta-feira a domingo, em Holambra. Na mostra há 250 mil flores de corte e 1.035 espécies de flores e plantas de vaso. Os organizadores esperam 300 mil visitantes.

Cleide Silva