USDA estima safra recorde de soja
O relatório de oferta e demanda divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê uma safra mundial recorde de soja para 2006/07, de 221,89 milhões de toneladas. Os EUA, maiores produtores, devem colher uma safra de 84,18 milhões de toneladas, 0,2% acima do ciclo 2005/06, e 5,6% maior que a previsão feita pelo órgão em agosto.
Para o Brasil, vice-líder na produção global, o USDA manteve a safra em 56 milhões de toneladas, 1,8% acima do ciclo 2005/06, de 55 milhões de toneladas. Na Argentina, a produção também foi mantida em 41,3 milhões de toneladas, 2% maior que a safra anterior.
Segundo Renato Sayeg, da Tetras Corretora, o relatório deste mês de setembro reflete em boa parte as expectativas do mercado. A exceção ficou por conta dos estoques finais americanos de soja, estimados em 14,4 milhões de toneladas. "O mercado projetava esses estoques em 15,4 milhões de toneladas", disse o especialista.
Sayeg também observou que a Argentina está mais competitiva em farelo e óleo de soja. "Os argentinos devem processar 33,7 milhões de toneladas de soja para óleo e farelo, contra 27,5 milhões de toneladas do Brasil", afirmou.
Para o milho, o USDA reservou surpresas, segundo analistas. A estimativa de produção americana de milho de 282 milhões de toneladas surpreendeu o mercado, que esperava um número abaixo de 277,2 milhões de toneladas, observou Paulo Molinari, analista da Safras&Mercado.
"Mas o USDA também aumentou as previsões de demanda interna e exportação, e com isso o estoque ficou praticamente inalterado", disse Molinari. Ele destacou a demanda de milho para produção de etanol destinado ao mercado interno, estimada em 54,61 milhões de toneladas. "Os EUA estão com 111 unidades de produção de etanol, sendo 43 em operação e 12 em fase de ampliação, com uma capacidade de 4,8 bilhões de galões [3,785 litros]", afirmou.
O relatório do USDA para o trigo confirma a tendência de quebra em importantes países produtores, como Austrália e Argentina, por conta da estiagem. A produção global foi estimada em 596,1 milhões de toneladas, recuo de 0,3% sobre agosto, e queda de 3,6% sobre 2005/06. Nos EUA, a produção se manteve em 49,03 milhões de toneladas, a mesma de agosto. Para a Argentina, ligeiro recuo de 1,8% sobre agosto, para 13,25 milhões de toneladas. Na Austrália, porém, a queda sobre agosto é de 9,3%, para 19,5 milhões de toneladas. Os estoques globais estão quase 20 milhões de toneladas menores em 2006/07 ante 2005/06.
Para o algodão, as estimativas do USDA foram consideradas neutras. O órgão reviu para baixo a produção americana (20,35 milhões de fardos) e mundial (114,94 milhões de fardos) e manteve inalteradas as previsões de consumo e exportações. O analista Miguel Biegai Júnior, da Safras&Mercado, acredita que haverá novas revisões para baixo nos dados de produção, por conta da estiagem no Texas (EUA) e na província chinesa de Xinjiang, que são as principais regiões produtores no mundo.
"A temporada de furacões também pode atingir o Meio-Oeste americano no período de colheita, o que pode gerar perdas na safra", afirmou. Ele observou que a China deve elevar as importações na safra 2006/07 de 19,25 milhões para 20 milhões de fardos. No Brasil, a estimativa é de produção de 5,25 milhões de fardos, 11,7% maior que em 2005/06.
A produção de laranja da Flórida foi estimada em 207,5 milhões de caixas de 40,8 quilos, 0,7% mais que a estimativa anterior. (MS e CB)