Vírus H5N1 dispara reação autodestrutiva em humanos (Estado de São Paulo)

13/09/2006

Vírus H5N1 dispara reação autodestrutiva em humanos

 

O H5N1, a cepa mais letal do vírus da gripe aviária, induz o sistema imunológico a reagir exageradamente, destruindo o que deveria defender. Além disso, se multiplica no organismo humano de forma muito mais agressiva que o subtipo viral da gripe comum.

Pesquisa coordenada pelo cientista Menno de Jong com 26 pacientes vietnamitas e publicada na mais recente edição da revista Nature Medicine verificou que o H5N1 ingressa na corrente sanguínea das vítimas humanas em cargas virais extraordinariamente altas. Jong é da Unidade de Investigação Clínica da Universidade de Oxford.

O bombardeio dispara uma reação exagerada do sistema imunológico que pode ser fatal. O vírus detona uma explosão de citocinas, proteínas que repelem intrusos como bactérias e vírus. "Durante a infecção pelo H5N1, as citocinas procuram se livrar do invasor, mas acabam investindo em grande quantidade diretamente contra as próprias células e órgãos da vítima", explica Jong. "Os altos níveis do vírus desatam uma resposta inflamatória desmesurada."

Dos pacientes acompanhados por Jong entre 2004 e 2005, 18 tinham gripe aviária e 8, gripe comum. No caso do H5N1, as maiores cargas virais foram encontradas no nariz e na garganta das vítimas. Treze dos 18 infectados morreram. Em 9 dos mortos o vírus foi localizado no sangue, o que significa que ultrapassou o canal respiratório. Necropsias também constataram que o H5N1 chegou ao sistema gastrointestinal da maioria das vítimas. Quem teve gripe comum não apresentou o vírus no sangue.