Safra nacional de maçãs voltará a crescer (Valor Econômico)

14/09/2006

Safra nacional de maçãs voltará a crescer

 

Após uma produção de cerca de 650 mil toneladas em 2005/06, a nova safra brasileira de maçãs, que será colhida no início do ano que vem, começa com expectativa de forte recuperação. De acordo com estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), a produção deve ficar entre 800 mil e 900 mil toneladas na atual safra. Se os volumes forem atingidos, a produção vai se aproximar dos patamares registrados em 2003/04, quando bateu recorde com 989 mil toneladas, e da safra 2004/05, quando foram colhidas 816 mil toneladas.

A temporada de frio, necessária para o bom desenvolvimento das macieiras neste início de ciclo, teve temperaturas, em média, próximas ao ideal, ao redor dos 7 graus, e houve frio constante, ao contrário do inverno do ano passado, quando as maiores regiões produtoras (Vacaria (RS) e serra catarinense) sofreram com o calor fora de época. "Tudo indica que a produtividade vai ser alta, e a produção pode até mesmo superar 900 mil", afirma Pierre Nicolas, presidente da ABPM.

Diferentemente de outras frutas como pêssego e ameixa, que foram prejudicadas pelas recentes geadas na região Sul do país, a maçã foi beneficiada na maior parte das áreas produtoras. Empresas como Rasip, Renar e Agropel estão otimistas com o volume maior de produção, mas preferem ainda não fazer previsões.

"Há indicativos de que será uma safra maior, mas é cedo para falar em tamanho e qualidade, porque dependem do período de floração (que se inicia no fim de setembro) e fixação de frutos", diz Ademar Kurmann, diretor-geral da Rasip, acrescentando que há sempre riscos de granizos atingirem os pomares.

Caso a previsão de uma safra grande se confirme, o país deverá voltar a vender mais maçã no exterior, ainda que o câmbio não esteja num patamar rentável aos exportadores no início de 2007, quando os contratos para exportação são fechados.

"Se a produção for grande, deveremos voltar a exportar os níveis que exportávamos em anos anteriores, cerca de 15% da safra, até por falta de opção", afirma Nicolas. Com uma safra superior a 700 mil, há superoferta no mercado interno, o que leva a uma queda acentuada de preços. Assim, o mercado externo passa a ser uma alternativa. No ano passado, a situação foi inversa, com a safra pequena e preços não atrativos no exterior, a produção brasileira foi despejada no mercado interno, e as exportações corresponderam a apenas 8% da produção, cerca de 50 mil toneladas.

Para o diretor de relações com investidores da Renar, Ricardo Sampaio, se em fevereiro de 2007 o preço estiver atrativo no mercado externo, a Renar poderá voltar a exportar perto de 50% do seu faturamento. "Voltará a ser interessante exportar porque diluiremos o custo da operação com a maior quantidade vendida". Com o câmbio desfavorável e uma safra mais contida, a Renar recuou em 2006 e exportou somente 15% da produção (incluindo comercialização de frutas de terceiros).

Um indicador de que deve haver demanda no mercado internacional é o fato de a União Européia estimar um déficit de 6% na produção de maçãs, uma vez que importantes produtores da fruta já apresentam perdas em seus pomares por problemas climáticos. Caso da França, com 10% de quebra, Holanda com 8%, Reino Unido 7%, e Espanha 21%.

A dúvida, agora, é quanto ao tamanho da produção de concorrentes como a China, Nova Zelândia, Argentina e Austrália, que podem apresentar também forte produção e forçar para baixo os preços internacionais.

Vanessa Jurgenfeld