Governo do Paraná incentiva irrigantes a usarem o sistema
Desde 2004, o Programa de Irrigação Noturna (PIN), parceria da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), estimula agricultores e irrigantes a aderirem à tarifação reduzida.
A Copel subsidia a substituição dos motores a diesel por motores elétricos, “uma energia mais limpa, com menos riscos de contaminação”, de acordo com Benno Henrique Doetzer, engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), responsável pelo PIN.
A parceria envolve também o Banco do Brasil, que libera recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que podem ser utilizados para compra de equipamentos. A Secretaria de Meio Ambiente, por sua vez, licencia as áreas a serem utilizadas na irrigação noturna.
“Em cerca de um ano, os produtores já conseguem recuperar o investimento inicial para a implantação da irrigação noturna”, informa Benno. O pagamento do medidor, que custa cerca de R$ 1.500, é parcelado em até 24 vezes pela Copel.
No Paraná, 3,5% da área agricultável é irrigada. Dos cerca de 30 mil irrigantes no Estado, o Programa de Irrigação Noturna prevê atingir 15 mil.
A Bahia, embora não tenha um programa de incentivo à irrigação noturna, estrutura seus projetos de irrigação com condições de aderir à tarifa diferenciada. A informação é de José Olímpio Rabelo de Moraes, superintendente de Irrigação da Secretaria da Agricultura do Estado.
“Em seus projetos, a Seagri sempre desenvolveu irrigação localizada, objetivando a irrigação à noite, para se beneficiar da legislação que determina as empresas concessionárias a conceder tarifa diferenciada.
Projetamos nossas estruturas voltadas para esse tipo de irrigação modernizada, irrigação localizada e equipamentos automovidos”, afirma José Olímpio.
Ele acrescenta que microaspersão e gotejamento são as duas formas de irrigação mais utilizadas pelos programas do governo, o que, segundo ele, facilita a irrigação noturna.
O diretor de Irrigação da Seagri completa que os distritos de irrigação estaduais assinam contratos com as concessionárias de energia a fim de utilizar o período tarifário reduzido. “Buscamos não usar a irrigação no horário diferente do indicado”, assegura.
Ainda no Nordeste, o Ceará usa a irrigação noturna, o Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas. Na área, a fruticultura, que requer técnicas avançadas de irrigação localizada, é forte, com plantações de abacaxi, manga e banana. A água vem do Açude Castanhão.
Cerca de R$ 320 milhões foram investidos e a obra durou 12 anos, numa parceria dos governos estadual e federal.