Bahia terá planta para abate de equino
A Bahia deverá estrear em 2007 no mercado de exportações de carne de cavalo. O Frigorífico Itapetinga assinou na última sexta-feira protocolo de investimento com o governo do Estado para construir uma planta dedicada ao abate de eqüinos. O início das obras está previsto ainda para este ano, e o trabalho deverá se estender por 12 meses. O investimento será de R$ 7 milhões.
A unidade criará cerca de 150 empregos e terá capacidade de abater até 200 animais/ dia. Toda a produção de carne, graxas, pêlo e couro será exportada. O projeto é exportar para Japão e países europeus. "O Estado ainda não entrou nesse mercado porque até agora não tinha frigoríficos preparados para essa finalidade", diz Plínio Moura, diretor da Secretaria de Agricultura da Bahia.
O frigorífico ficará em Itapetinga, a 552 quilômetros de Salvador. O empresário Juan Carlos Bargueño, responsável pelo investimento, afirma que o projeto existia há pelo menos dois anos. No Paraná, Bargueño está à frente da Rei do Gado Fazendas Ltda., que tem ainda o Frigorífico Santa Fé, na cidade de mesmo nome localizada no noroeste do Estado. Bargueño não deu maiores detalhes do empreendimento.
Ainda que pouco conhecido, o mercado brasileiro de carne de cavalo é um dos principais no mundo. Em 2005, os embarques somaram US$ 64,1 milhões, o que faz do país o quinto maior exportador. A produção concentra-se no Rio Grande do Sul, Paraná e em Minas.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os embarques brasileiros correspondem a 12,6% das exportações mundiais da carne de cavalo. França e Bélgica estão entre os principais destinos. Hoje, o Brasil garante cerca de 30% de todo o consumo do produto nesses dois países. O segmento movimenta R$ 80 milhões no país e emprega mil pessoas, cofnorme o Cepea. Também são exportados US$ 2 milhões em animais vivos por ano.
A Bahia tem como trunfo o fato de contar com o segundo maior plantel de eqüinos do país. Suas mais de 600 mil cabeças são superadas apenas pelo plantel de Minas. Em todo o Brasil, o número está próximo de 5,8 milhões. Em eqüídeos (população que inclui eqüinos, asininos e muares), o Estado tem 1,25 milhão de cabeças, o maior rebanho nacional.
A região de Itapetinga, no sul da Bahia, é a mais importante da pecuária do Estado. Foi lá que, no fim de 2004, o grupo Bertin instalou uma unidade dedicada à exportação de carne bovina. O rebanho de gado na área é de 1,14 milhão de cabeças.
Patrick Cruz