Executivos compram a Cardume
Um grupo de dez empresários anunciou ontem (dia 21) a aquisição da empresa Cardume Indústria e Comércio de Peixes, com sede em Chapecó, no oeste catarinense. Produtora de pescados, a indústria estava fechada desde dezembro por problemas financeiros. Os novos donos pretendem colocar os produtos no mercado paulista já no primeiro ano de operação, previsto para 2007, e planejam exportar para América do Norte e Europa no ano seguinte. O valor do negócio não foi revelado.
De acordo com Antônio Carlos Moschetta, ex-executivo da Sadia e presidente do conselho de administração da empresa, um fundo de investimento privado foi constituído para realizar a aquisição. Além dele, fazem parte do fundo, Neimar Brusamarello (executivo da Agroeste), que será o vice-presidente do conselho, e o ex-executivo da Bunge, Milton Bordignon, que será o diretor-executivo da Cardume. Moschetta disse que a intenção é fazer novas aquisições. Conforme ele, os empresários estão em negociação para adquirir uma fábrica no setor de carnes.
O grupo pretende manter os produtos da Cardume, que inclui empanados, mas o foco do negócio será a tilápia. Os investidores acreditam que a tilápia tem mais aceitação no mercado paulista e no exterior. A Cardume está em negociações para a venda de seus produtos para o Pão de Açúcar.
A Cardume, que era controlada pela família Magro, é considerada empresa de pequeno porte. Em seus últimos meses de operação, a produção atingia 1 tonelada por dia. A projeção para o primeiro ano é processar 5 toneladas por dia de produtos, dobrando o volume no segundo ano. Para o terceiro ano, 20 toneladas. A previsão é faturar R$ 5 milhões em 2007, chegando a R$ 23 milhões em três anos.
Os novos controladores pretendem atuar no setor de pescados com produtores integrados, modalidade comum no setor de suínos e aves - um sistema no qual a empresa fornece a matéria-prima ao produtor e tem como garantia a venda do peixe. A intenção da empresa é ter 400 açudes integrados. O grupo prevê ainda investimentos de R$ 2,3 milhões para ampliação na produção no terceiro ano de operação, que deverá ser custeada com recursos próprios, assim como foi feita a aquisição.
Vanessa Jurgenfeld