Tecnologia aliada à pecuária

25/09/2006

Tecnologia aliada à pecuária

 

A pesquisa genética na pecuária tem promovido avanços na produtividade do rebanho em todo o País. Empresas públicas e particulares desenvolvem projetos que permitiram um salto na qualidade da carne bovina.
“Há menos de duas décadas, a pecuária estava entre as três maiores atividades primárias do Brasil, mas era uma das mais atrasadas.
Os indicadores de produção eram inexpressivos, a produtividade baixa e a tecnologia rudimentar”, cita Henry Berger, gerente da unidade de negócios da Merial Saúde Animal para a América Latina.
O pesquisador da Merial, em São Paulo, acrescenta que a análise de DNA e a produção de marcadores genéticos permitem ao produtor reunir um rebanho com as características que atendem à demanda do mercado.
“São perfis para todos os atributos importantes da pecuária moderna, como peso à desmama, características de carcaça (área de olho de lombo, peso da carcaça quente, espessura de gordura, rendimento e acabamento), qualidade de carne (maciez e marmoriza ção), longevidade produtiva, produção de leite, gordura e proteína, e até mesmo, em futuro próximo, resistência a doenças”, detalha.
A previsão é que o Brasil disponha, até meados de 2007, de marcadores validados para gado Zebu (Nelore, Gir e cruzados) a partir de um projeto coordenado pelo professor José Bento Sterman Ferraz, da Universidade de São Paulo, que utiliza mais de 5 mil bovinos de corte, e outro, do pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Gado de Leite em Juiz de Fora (MG) Mário Martinez, com 3 mil gados de leite.
O pesquisador Roberto Torres, da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), apresenta outros caminhos da pesquisa genética na pecuária. Doutor em genética e melhoramento animal, ele cita a “aplicação de ferramentas matemáticas no processamento de dados de campo e na elaboração dos sumários de touros que permitem identificar indivíduos mais produtivos para formação de populações melhoradas que suportem a produção mais eficiente de carne bovina”.
O pesquisador detalha que, por meio dos modelos matemáticos, a Embrapa colaborou na construção dos sumários nacionais das raças Zebu, Canchim e Caracu, em parceria com a associação de criadores das respectivas raças. Acrescenta que os projetos da unidade envolvem a exploração da raça Nelore para identificação de variabilidade genética para qualidade de carne e eficiência na utilização de alimentos. “Tanto do ponto de vista da genética tradicional quanto utilizando ferramentas genômicas”, conclui.
Os pesquisadores da Embrapa Gado de Corte atuam com um programa de consultoria institucional em Genética e melhoramento de bovinos de corte, que envolve a parceria com criadores de várias raças nos diversos Estados do Brasil, com mais de 150 mil matrizes.
 Marcador genético, segundo os especialistas da área, é uma porção de DNA que tem seqüência e posição conhecidas dentro do genoma e é utilizada para "acompanhar" determinado gene, um dos fatores que determinam as características dos seres vivos.

JAIR FERNANDES DE MELO