Tempo com chuva ou não

25/09/2006

Tempo com chuva ou não

 

Para os últimos dias de setembro, a previsão de chuva é ligeiramente abaixo da média em todo o Estado.
No litoral, pode ficar pouco acima da média, enquanto no oeste deve chover pouco. As informações são da meteorologista Patrícia Madeira, da agência Climatempo, situada em São Paulo.
“A previsão até a próxima quartafeira é de 20 milímetros de chuva na região sul. Nas áreas de Ilhéus e do Planalto da Conquista, a variação pode ficar entre 2 e 10 milímetros.
Nas demais áreas, não há previsão de chuva”, complementa.
Patrícia Madeira chama a atenção dos agricultores para o crescimento no índice pluviométrico do mês de outubro. “Neste mês, a chuva será quatro vezes maior que em setembro, maior do que o normal”, avalia. Segundo ela, a previsão é positiva para os produtores que estão começando a plantar.
No mês de novembro, diz Patrícia Madeira, deve chover bem acima do normal no sul do Estado, em comparação à média dos últimos 30 anos. Com uma nova versão do El Niño que se aproxima, a perspectiva, acrescenta, será de pouca chuva em dezembro.
“Quem plantou vai precisar irrigar, e a chuva de novembro deve ser armazenada para sustentar a lavoura, no mês de dezembro. Em janeiro, volta a chover um pouco mais, enquanto em fevereiro volta a seca. O que vai marcar a próxima safra é a irregularidade da chuva.
Os produtores terão de lidar com isso: evaporação maior, até mesmo nos reservatórios”, anuncia.
De acordo com a meteorologista, em outubro e novembro, choverá próximo da média e, no mês seguinte, acima do normal. “Em Barreiras, as máximas serão 32º, em novembro, e 30º, em dezembro”, prevê Patrícia Madeira.
Na Bahia, de acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado, as chuvas mais significativas começam em outubro e podem seguir até agosto seguinte, a depender das condições oceânicas e atmosféricas atuantes.
Frentes frias provocam chuvas nos meses entre outubro e fevereiro, especialmente nas regiões do São Francisco, sudoeste, oeste e sul da Bahia. Entre março e maio, as chuvas sofrem influência da atuação da Zona de Convergência Intertropical, que provoca precipitações no norte da Bahia.
Entre fevereiro e maio, frentes frias e sistemas de vento também inibem as chuvas no Estado, de acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos. Entre abril e agosto, chove mais no litoral, devido a brisas e frentes frias. Mais do que ferramenta para avaliar finais de semana, se chuvoso ou não, a meteorologia ajuda a agricultura.
Empresas particulares, como a Climatempo, e estatais, a exemplo do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos e Instituto Nacional de Meteorologia, fazem previsões que ajudam o produtor no plantio, colheita ou irrigação. Um dos que se baseiam nessas informações é Hélio Passos.
Em sua Fazenda Pirajá, em Itaberaba, ele tem 16 hectares plantados de capim tifton e coast-cross , para produção de feno, e 40 hectares de melancia. Há dois anos, ele colhe os benefícios pela utilização da agrometeorologia, aplicação de dados meteorológicos no planejamento e manejo da lavoura.
“No caso do feno, não há mais perdas, porque, quando sou informado de que vai chover, não faço o corte nu período do dia e, então, não perco o feno”, conta. Quanto à melancia, Hélio relata que, por ser irrigante, aproveita o período da entresafra para maior rentabilidade.
“As previsões de chuva para a região da minha fazenda são para o final de novembro. Daí, planejo a colheita para o final do mês de outubro, quando há menos oferta no mercado”, esclarece.
FORA DA BAHIA – Em Minas Gerais, a Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), responsável por 12% da produção nacional de café e 11 mil cooperados no sul e cerrado de Minas e Vale do Rio Pardo, em São Paulo, tem a meteorologia como parceiro.
Paga mensalidade à Climatempo pelas informações climáticas específicas e também prestam informações.
"Compramos e montamos nove estações meteorológicas em vários pontos da região, que dão suporte aos institutos de pesquisa.
Fornecemos as condições de temperatura, evapotranspiração e precipitação”, cita Joaquim Goulart, gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé.
Os dados são divulgados no mural da cooperativa e na internet (www.cooxupe.com.br) com índices pluviométricos mensais e informações diárias sobre as condições do tempo e clima. “O café vale pela qualidade. No período da colheita, deve-se evitar que pegue chuva. Quando há previsão de geadas, o produtor fica sabendo das medidas para minimizar prejuízos”, justifica.
Joaquim Goulart aponta outros benefícios da agrometeorologia além do planejamento de plantio e de colheita e suporte sobre a necessidade de irrigação.

JAIR FERNANDES DE MELO