Cai o volume de desembolsos do BB
Sobrecarregado pelo extenso processo de renegociação das dívidas de custeio e investimento, o Banco do Brasil reduziu o ritmo de concessão de financiamentos a produtores rurais e cooperativas neste início de ano-safra 2006/07.
De julho até o início desta semana, o BB aplicou apenas R$ 5 bilhões em custeio, um resultado pelo menos 20% inferior ao registrado em igual período do ano-safra 2005/06. "De fato, houve um atraso nas liberações. Mas isso será amplamente compensado em outubro, quando teremos feito todas as análises dos pedidos de renegociação", informou o diretor de Agronegócios da instituição, Derci Alcântara. De acordo com ele, serão liberados até R$ 7 bilhões no próximo mês.
O prazo final para se obter o benefício das novas regras de repactuação autorizadas pelos pacotes de socorro agrícola do governo terminaria amanhã. As dívidas tiveram o prazo de pagamento dos financiamentos de custeio da atual safra prorrogado por cinco anos. E com carência de 18 meses. Até agora, o BB renegociou R$ 4,8 bilhões dos R$ 6,8 bilhões passíveis de rolagem automática. O banco analisou 238 mil dos 265 mil contratos - ou seja, 90% do total. O volume chegou a R$ 9,9 bilhões dos R$ 11,6 bilhões em débitos com potencial renegociação.
Das dívidas atreladas às Cédulas de Produto Rural (CPRs), o BB refinanciou somente 6,6 mil dos 2,4 mil contratos pendentes - ou 36,5% do total. Em valores, foram R$ 224 milhões dos R$ 712 milhões passíveis de repactuação. "O ritmo de renegociação das dívidas com CPRs está mais lento porque a análise depende de questões burocráticas que envolvem cartório e registro das cédulas", afirmou Derci Alcântara.
O BB anunciou que trabalhará durante o fim de semana para atender à demanda dos produtores. "Estamos fazendo um grande esforço de pessoal para finalizar as análises neste fim de semana", garantiu Alcântara ao Valor.
As rolagens automáticas de parte das dívidas de custeio começam a vencer em 2010 e obedecem a uma regionalização por região e cultura. Serão de 35% no milho; de 50% no arroz; 35% no algodão; 55% na soja das regiões Sul e Sudeste; 20% na pecuária bovina de corte e na pecuária de leite; 25% na mandioca; 20% no trigo, suínos e aves de não-integrados. As dívidas totais de custeio da atual safra somam cerca de R$ 26 bilhões. O governo estima que R$ 10 bilhões serão rolados em todos os bancos. A primeira parcela da dívida vencerá um ano depois da data da repactuação.
Mauro Zanatta