Banco de germoplasma dá opções de cultivo de frutas a produtores rurais
Medida poderá diversificar a fruticultura com espécies como graviola, goiaba, acerola, pitanga e carambola
Para diversificar o cultivo de frutas na Bahia, 67 espécies de fruteiras nativas, silvestres e exóticas, oriundas de várias partes do Brasil e do mundo, estão disponíveis para distribuição aos produtores baianos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG).
Localizado na Estação Experimental de Mandioca e Fruticultura da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), no município de Conceição do Almeida, o BAG foi criado em 1973 e é um dos principais bancos do gênero da América Latina – há um similar em Jaboticabal, São Paulo. Hoje, o espaço conta com 324 acessos (entradas/introduções) de genes de frutas.
Segundo o presidente da EBDA, Joaquim Santana, o BAG é um patrimônio científico. "Muitas dessas árvores frutíferas só existem aqui e a EBDA conserva esse patrimônio biológico através da pesquisa, da distribuição e da propagação das espécies", disse.
O objetivo do BAG é conservar o material, avaliá-lo, caracterizá-lo e distribuí-lo. Ali, 85 mil mudas (34 mil delas de graviola) já foram produzidas e distribuídas para produtores baianos, principalmente da região sul, e de praticamente todos os estados brasileiros.
Sementes e materiais de propagação também já foram distribuídos para 70 instituições do Brasil e do exterior. Com as novas variedades, a idéia é dar opções ao produtor, diversificando as possibilidades de cultivo. O coordenador do BAG, José Uzeda Lima, explicou que, das 2,8 mil espécies existentes de frutos, haveria, pelo menos, 50 com possibilidade de exploração na Bahia
"As frutas cultivadas na Bahia não passam de 20, mas sabe-se da existência de um grande potencial, principalmente em relação às espécies pouco conhecidas, sobretudo aquelas de clima tropical e subtropical", afirmou o coordenador.
José Uzeda disse que a meta do banco também é assegurar estoques de germoplasma que permitam o fornecimento de materiais promissores para a formação de pomares matrizes, além de torná-los disponíveis para uso em trabalhos de melhoramento e realização de novos experimentos. O acervo do BAG, inclusive, tem sido utilizado em aulas de campo para estudantes de escolas técnicas e cursos de graduação.
Pioneiro na introdução dessas espécies exóticas, o BAG tem uma parceria com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenergen). As frutas mais difundidas são graviola, goiaba, acerola, pitanga e carambola. As plantas são mantidas em campo e dispostas em número variável de três a 10 por acesso, recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie.
Dos 82 hectares da Estação Experimental de Mandioca e Fruticultura da EBDA, 12 são ocupados pelo BAG e suas árvores. Na relação de frutos nativos cultivados, estão a pitanga, a jabuticaba, a pitomba e o caju, entre outros.
Frutos exóticos
Curiosamente, outros frutos de consumo bastante disseminado no Brasil revelam sua origem exótica, como a carambola, que veio do sudeste da Ásia. No Brasil há bastante tempo, o jambo também não é uma espécie nativa. Sua origem é da Malásia.
O que chama a atenção no BAG, porém, são as espécies exóticas, como o rambutão, originário do oeste da Malásia. Trata-se de um fruto que pode ser consumido in natura e utilizado para produzir geléia. Em municípios baianos como Ituberá, Una e Ilhéus, há 40 hectares plantados de rambutão, ativando a economia local. Nas delicatessens, um quilo do fruto costuma ser vendido por R$ 10 a R$ 12.
Já o mangustão, nativo do sudeste da Ásia, conta com 70 hectares plantados no sul da Bahia, em cidades como Una e Nilo Peçanha, por exemplo. O preço varia de R$ 2 a R$ 5 a unidade. A macadâmia, por sua vez, é originária da Austrália e é rica em óleo, sendo utilizada na fabricação de produtos cosméticos.
No Havaí, há uma verdadeira indústria de macadâmia. O champedaque, outro fruto cultivado no BAG, pertence à família da jaca e veio do oeste da Malásia. Pode ser consumido ao natural e em conserva, sendo que suas sementes também são torradas ou cozidas.
Originário da Índia, o matoom é um fruto da família da laranja e pode ser consumido in natura ou utilizado no preparo de doces. Já o akee, usado em molhos e carnes, é originário da África e muito popular na Jamaica. Fruto nativo da América Central, de grande popularidade em Cuba e rico em carboidratos e vitamina A, o canistel pode ser consumido ao natural ou batido com leite. Já o bilimbi, fruto da família da carambola e popularmente conhecido como berimberi, veio do sudeste da Ásia e é muito utilizado na fabricação de picles e molhos.