Fertilização do solo fica mais barata com uso de minhocas (A Tarde)

02/10/2006

Fertilização do solo fica mais barata com uso de minhocas

 

 

Húmus é um composto orgânico rico em nitrogênio, magnésio e potássio produzido com o auxílio de minhocas. O material funciona como alternativa natural e é eficaz para suprir a necessidade de nutrientes das plantas, emsubstituição a fertilizantes químicos.
As informações são do professor José Resende, da Escola de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que falou para A TARDE Rural sobre a cultura dos anelídeos na produção do húmus.
Ele tratou também de outros materiais orgânicos, como a compostagem – húmus feito de maneira mais rápida que o de minhoca – e o biofertilizante – que serve de inseticida e adubo.
O professor explica como as minhocas auxiliam na fabricação do húmus: “Esses animais têm glândulas calcíferas, que geram substâncias minerais, que vão compor o húmus”, disse. O composto orgânico torna o solo mais alcalino, para a necessidade de culturas como o feijão, por exemplo.
O solo alcalino em geral tem superfície clara ou esbranquiçada, é rico em nutrientes, mas geralmente provoca ferrugem nas plantas mais suscetíveis. Segundo técnicos da Embrapa, a definição está ligada ao pH (potencial hidrogeniônico).
Abaixo de 7 é ácido; acima de 7, alcalino; e 7 é neutro.
Ensina o professor José Resende que há três tipos de minhoca que fabricam o composto: humidificadora, incorporadora e geófaga.
A diferença entre elas, acrescenta, é a produtividade.
A humidificadora chega a transformar seu alimento (detritos vegetais) em 90% de húmus e é a mais indicada para ser criada em cativeiro, de acordo com o engenheiro Aristeu Peressinoto, autor de um manunal de minhocultura.
José Resende diz que as humidificadoras, especificamente a Eisenie foetida, minhoca vermelha originária da Califórnia (Estados Unidos), pode ser comprada na Escola de Medicina Veterinária.
O professor prossegue dizendo que as minhocas incorporadoras transformam alimento em húmus na medida de 50%, enquanto a geófaga produz pouco húmus, possui outra grande vantagem, que a destaca entre as demais.
“As geófagas têm a terra como alimento e são muito comuns no sertão e em cidades como Maracás e Itapetinga. Ela serve de arado para a terra também cavam galerias (buracos), que ajudam a terra a reter água e facilitam o aprofundamento das raízes”, detalha.
Alerta para a atenção que se deve ter com os predadores de minhoca, que devem ficar longe do ambiente em que a minhoca será criada. “São galinhas, patos, marrecos, gansos, e formigas”, cita.
O uso de agrotóxicos e outros produtos químicos nas plantas e demais componentes do húmus, como o esterco animal, deve ser evitado, esclarece José Resende.
Segundo ele, as minhocas são muito sensíveis aos produtos químicos.
Diz que quanto mais o animal for nutrido, melhor será o esterco e o húmus, conseqüentemente.
FONTE DE RENDA – A veterinária Monica Hlavnicka, do Laboratório de Patologia da Reprodução, da Escola de Medicina Veterinária da Ufba, chama a atenção para a eficácia do húmus na vitalidade e saúde das plantas, inclusive de jardins.
“Quando colocamos o húmus, a terra mineraliza o composto orgânico com mais rapidez, às * vezes em até dois dias. Com a utilização de fertilizantes, demora muito para os nutrientes agirem”, contrasta.
O professor José Resende complementa, dizendo que a vantagem do uso de compostos orgânicos é visível. “A planta fica mais verde”, fala, apontando para plantas que ele cultiva em uma área junto ao Hospital Veterinário.
A fabricação do material, de acordo com Mônica Hlavnicka, possui o chamativo de promover o equilíbrio ambiental, mas também serve como fonte de renda.
Embora a produção de húmus só seja rentável em larga escala – um quilo do produto é vendido, em média, a R$ 1 –, a veterinária frisa que o manejo orgânico permite a conservação dos solos para as gerações futuras. O produtor tem a satisfação de saber que a terra está sendo trabalhada para que, no futuro, os filhos tenham alimento saudável”, diz.
O pesquisador José Resende apresenta a compostagem como outro produto ecologicamente correto. A partir de restos de verduras e frutas, folhas, sobras de comida, estrume e outras matérias mortas, a compostagem pode ser feita por qualquer agricultor. Basta acumular a matéria-prima, mantendoa sempre úmida. Terra produtiva mineral e decompositor orgânico, vendidos em casas de produtos agrícolas, integram a lista de ingredientes.
Após 90 dias, a compostagem está pronta.

JAIR FERNANDES DE MELO