Produtores agem em torno de interesses pulverizados (A Tarde)

02/10/2006

Produtores agem em torno de interesses pulverizados

 

Considerado um dos maiores pecuaristas do centro-oeste do Estado, Antônio Balbino de Carvalho Neto, de Barreiras, é da opinião de que a exportação apenas minora o problema. “Nossa atividade depende de fatores ligados à sazonalidade e, para agravar, os produtores agem de forma pulverizada e em torno de interesses individuais, que são os mais diversos, e isso beneficia os grandes atacadistas, que se aproveitam e ditam regras, enfraquecendo o produtor.” Antônio defende parcerias comerciais mais estruturadas entre o produtor, a indústria e os grandes atacadistas, como forma de consolidar um mercado para a pecuária de corte.

Também pessimista diante do quadro atual do mercado, o presidente da Cooperativa Agropecuária de Feira de Santana (Cooperfeira), Wilson Pereira, ainda acredita numa reversão e revela que o frigorífico da cooperativa está atraindo investidores dos subprodutos do boi. “A Courotec está interessada em instalar um curtume aqui”, informa.

Wilson Pereira acredita que a exportação de carne pode, também, “minorar o problema”, a ponto de a cooperativa ter como meta dotar o Frifeira de condições para entrar na lista dos frigoríficos credenciados pelo Ministério da Agricultura para exportação de carne bovina. “Mas não queremos que a Cooperfeira seja simples exportadora, e sim que os produtores tenham um frigorífico com estas condições de abate. Além da exportação, acho que somente a redução da produção pode equilibrar a questão da oferta e da procura na pecuária de corte”, avalia.

De janeiro a agosto, o Brasil registrou uma receita de US$ 2,44 bilhões em exportações de carne bovina, 15,93% maior do que no mesmo período, em 2005, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Comparando-se os oito primeiros meses deste ano com o mesmo período de 2005, o volume exportado cresceu 3%, passando de 1,499 milhão de toneladas para 1,544 milhão de toneladas. Para 2006, a estimativa da Abiec é alcançar uma receita de US$ 3,9 bilhões, com um crescimento de 15% em receita e 10% em volume.