Área de cana deverá crescer 85% até 2015/16, calcula IEA (Valor Econômico)

04/10/2006

Área de cana deverá crescer 85% até 2015/16, calcula IEA

 

 

Os investimentos programados para expandir a produção brasileira de açúcar e álcool na próxima década exigirão um crescimento de quase 85% da área plantada com cana no país até a safra 2015/16, segundo estudo do Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria de Agricultura de São Paulo - divulgado nesta semana.

Conforme Sérgio Alves Torquato, autor do trabalho, a projeção leva em conta que 90 dos mais de 100 projetos de construção ou ampliação de usinas anunciados nos últimos meses em quase todo o Brasil sairão de fato do papel. O pesquisador considerou estimativas de que 39 novas usinas serão erguidas só em São Paulo (a maior parte no oeste paulista), e que os aportes no Estado nos próximos cinco anos alcançarão cerca de R$ 10 bilhões.

Torquato ressalvou que variáveis como o atraso na implantação de programas de uso de etanol em outros países e barreiras protecionistas européias podem restringir o avanço da demanda pelo combustível e impactar as projeções. Aumento excessivo da oferta sucroalcooleira e os decorrentes reflexos sobre os preços dos subprodutos da cana também podem provocar alterações de rotas.

Mas, se tudo correr como os empresários do segmento esperam, o pesquisador do IEA calcula que a área nacional de cana deverá saltar de 6,6 milhões de hectares na safra 2006/07 para 12,2 milhões em 2015/16. A produção brasileira de cana, por sua vez, deverá sair de 455 milhões para 902,8 milhões de toneladas no mesmo horizonte. Em São Paulo, o aumento da área foi estimado em 67,5%, para 6,7 milhões de hectares, e o da produção em 71,5%, para 576,2 milhões de toneladas.

Se essas previsões se confirmarem, a participação de São Paulo na área nacional de cana cairá dos 60,7% atuais para 54,9%. E esse é um movimento natural, por conta da maior disponibilidade de terras mais baratas em outros Estados.

Para Torquato, a atual tendência de queda do açúcar no mercado internacional terá influência restrita sobre o ritmo de execução dos projetos. "É a demanda por álcool que sustentará os investimentos". Em 2006, aponta o estudo, a oferta mundial de álcool deverá atingir 48 bilhões de litros, e a fatia brasileira na produção tende a chegar a 35,4%.

O pesquisador lembrou que o movimento de expansão dos canaviais acontece sobretudo em áreas de pastagens de gado - daí o grande número de projetos no oeste de São Paulo. Laranja, soja e milho também vêm perdendo espaço para a cana, mas Torquato ressalvou que ainda é preciso mensurar melhor a transferência de terras nesses casos.

Ver mais em www.iea.sp.gov.br

Fernando Lopes