Bahia é líder na produção de sisal em todo o país
Estados Unidos e China são os maiores importadores da fibra, principalmente sob a forma de cordas e fios, para uso agrícola e para artesanato
Com 92 mil toneladas colhidas em 2005, o estado é o maior produtor de sisal do Brasil e responde por 94% de toda a produção nacional. Logo atrás aparecem o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Este ano, apenas entre os meses de janeiro e abril, 40 mil toneladas de sisal já foram produzidas.
A performance da Bahia, que conta com 200 mil hectares plantados, coloca o Brasil na primeira posição do ranking mundial da produção de sisal. Os Estados Unidos são os maiores importadores dos produtos beneficiados com sisal do Brasil, principalmente cordas e fios agrícolas. A China também compra a fibra beneficiada para a fabricação de sandálias.
Técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) visitaram esta semana a região de Conceição do Coité, a 210 quilômetros de Salvador, para prestar assistência técnica a produtores de sisal, cultura típica do semi-árido baiano.
O engenheiro agrônomo Eduardo Ferreira da Silva, chefe do escritório da EBDA em Conceição do Coité, explicou que a visita aos produtores buscou auxiliar os agricultores. "O programa dá assistência técnica aos produtores, como forma de melhorar a qualidade da fibra e agregar valor ao produto. Nossa meta era atender a 5 mil produtores no estado e já superamos esse número", disse. Geralmente, os produtores são pais de famílias numerosas e têm no sisal sua principal fonte de renda.
Quatro agricultores foram visitados na localidade de Lameiro da Macambira, zona rural de Salgadália, distrito de Coité. A idéia foi observar o nível de satisfação com o Programa de Incentivo à Lavoura do Sisal (Nossa Fibra), cujo objetivo é revitalizar a cultura do sisal e aumentar a sua produtividade em bases sustentáveis. Depois de Conceição do Coité, a equipe seguiu para Jacobina.
Desenvolvido pela Secretaria da Agricultura (Seagri) e coordenado e executado pela EBDA, o programa beneficia quase 6 mil produtores em 50 municípios de quatro pólos produtores – Nordeste (Conceição do Coité e região), Piemonte da Diamantina (Jacobina e cidades próximas), Paraguaçu (Riachão do Jacuípe e arredores) e região de Irecê, que abrange os municípios de Cafarnaum, Canarana e Mulungu do Morro.
PARCERIA
– O Nossa Fibra foi lançado em março do ano passado e é fruto de um investimento de R$ 13,1 milhões, sendo cerca de R$ 8 milhões do Governo do Estado e R$ 5 milhões dos agentes financeiros (Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Desenbahia). A iniciativa conta com a parceria da Secretaria de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (Secomp), da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e da Embrapa.Vinte municípios fazem parte do Pólo Nordeste, que conta com uma área total plantada de 96 mil hectares de sisal, sendo 8.680 hectares sob a atuação direta do programa e 3.050 produtores familiares beneficiados. Já a cidade de Conceição do Coité possui 17 mil hectares de área plantada e conta uma produção média anual de 14 mil toneladas. Ali, o Nossa Fibra beneficia 1,6 mil hectares e 495 agricultores. Em média, cada pequeno produtor baiano tem 10 hectares plantados. Com o programa, cada um deles recebeu R$ 250 por hectare para recuperar os campos de sisal.
A fibra do sisal é muito utilizada na confecção de cordas, fios para amarrar feno (o chamado fio agrícola), embrulhos, tapetes, bolsas, chapéus, caixas de jóias e materiais artesanais. Para não haver desperdício, o insumo resultante do desfibramento da folha do sisal é aproveitado para a mucilagem – alimentação animal. Antes disso, o sisal passa por uma peneira, para que esteja adequado à nutrição de caprinos, ovinos e bovinos.
A bucha do sisal também é aproveitada para a fabricação de mantas para estofamento de veículos, painéis e tetos de automóveis. "Antes, o aproveitamento do sisal era limitado. Agora essa realidade mudou", explicou Odilon Reny Ribeiro, pesquisador da área de sisal da Embrapa, também presente à visita.