Empresas brasileiras miram o avanço da China no segmento
Divididas e cada vez mais centradas em estratégias individuais, e não setoriais, as indústrias de suco de laranja instaladas no país encaram com temor e interesse o desenvolvimento da citricultura da China, que tem planos ambiciosos de ampliação da produção até 2020.
Conforme objetivos expostos na virada do milênio, e perseguidos desde então, até lá a China que ampliar sua produção para 1,5 milhão de toneladas equivalentes de suco de laranja concentrado. Segundo Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus, o volume é maior do que a atual produção brasileira, que deverá chegar a esse patamar mais ou menos ao mesmo tempo que os chineses.
Mesmo se atingir a meta prevista, cálculos chineses indicam que haverá espaço para importações de 500 mil toneladas por ano em 2020. Boa notícia para o Brasil, que domina cerca de 80% das exportações globais de suco de laranja e não vislumbra em seu atual grande concorrente do país no mercado internacional, os Estados Unidos, possibilidade de acirramento da disputa no curto prazo - devido à crise na Flórida.
Mas, para as empresas brasileiras, boa mesmo é a tendência de que elas próprias participem do desenvolvimento do segmento na China. Ainda que a Abecitrus só represente atualmente a Cutrale, uma vez que as demais grandes empresas do ramo deixaram a associação em tempos recentes, Garcia garante: "A China gosta de trabalhar com os melhores em cada segmento, e há interesse das indústrias em participar".
Ele lembra que em 1996, quando exportou 500 toneladas de suco de maçã, a China começou a promover o crescimento desse segmento no país. Em 2005, os embarques do país asiático somaram 650 mil toneladas, e que o mercado já não era mais o mesmo há muito tempo.
Coincidentemente, o Grupo Fischer, que controla a Citrosuco, tem também suco de maçã. Fontes do mercado dizem que, com seus navios que voltavam vazios depois do transporte de suco de laranja para a China, a empresa já começou a levar suco de maçã chinês à Europa. (FL)