Riscos que chegam com as salmonelas (A Tarde)

09/10/2006

Riscos que chegam com as salmonelas

 

Em 2000, várias pessoas adoeceram, na Virgínia e em outros 13 estados dos Estados Unidos, atacadas por bactérias do gênero Salmonella, com um saldo de 15 internamentos e duas mortes. Na ocasião, registra o livro Agronegócios Gestão e Inovações (Editora Saraiva), um rastreamento mostrou que todas elas haviam consumido mangas importadas do Brasil que, durante o processo de quebra de amadurecimento, foram imersas em água contaminada.

Outros dados, do Center of Disease Control (CDC), dos EUA, revelam que nos três primeiros anos desta década, cerca de 250 mil pessoas foram infectadas por salmonela na Europa. Em mais de 30% dos casos foi registrada a presença da Salmonella enteritidis, sorotipo mais prevalente na salmonelose.

Essas bactérias estão presentes na maioria das doenças infecciosas alimentares no homem e nos animais. No caso dos bovinos, é uma das principais causas da mortalidade, quando atacados pela Salmonella dublin, que chega tanto pela água quanto pelo alimento contaminado. São mais de 2.500 sorotipos dessa bactéria e cerca de 200 estão relacionados a enfermidades em humanos.

Segundo Alberto Inoue, gerente de produto de aves e suínos da Fort Dodge – fabricante de produtos de saúde animal do mundo – a salmonelose é a doença bacteriana de maior impacto econômico na avicultura nacional, relacionada à mortalidade e à refugagem de aves jovens, além da contaminação dos produtos e derivados avícolas.

As principais síndromes causadas pelas salmonelas são a febre tifóide e as infecções paratíficas. Os sorotipos Typhimurium e Enteritidis são freqüentes em humanos.

IMUNIZAÇÃO DE AVES – O controle da Salmonella enteritidis tem sido uma tarefa complexa, que exige envolvimento dos elos da cadeia produtiva avícola – granjas, incubatórios, fábricas de rações, abatedouros e outros. Por isso, a imunização de aves é uma das mais importantes medidas de controle da Salmonella enteritidis, principalmente por meio das vacinas inativadas. Elas previnem que os órgãos internos das aves sejam colonizados pela bactéria, reduzem a excreção fecal e estimulam uma menor produção de ovos contaminados.

As vacinas também são capazes de diminuir a taxa de crescimento bacteriano nos ovos contaminados por causa da presença de anticorpos na gema. "É importante ressaltar que a vacinação é apenas uma ferramenta auxiliar e que o sucesso no controle das salmoneloses só será obtido por meio de uma série de ações e medidas conjuntas, como a biosseguridade, a aquisição de plantéis livres e o controle de matérias-primas, entre outras", alerta Alberto Inoue.

A Fort Dodge Saúde Animal lançou a nova vacina Poulvac SE ND IB. A empresa assegura que os produtores terão duas opções de vacinas inativadas para o controle da Salmonella enteritidis, a Poulvac SE e a Poulvac SE ND IB.

Segundo técnicos da empresa fabricante de vacinas, estudos desenvolvidos na Unesp de Jaboticabal (SP), avaliando a descendência de aves vacinadas com Poulvac SE, revelaram que a imunidade passiva protegeu significativamente os pintos nas primeiras semanas de vida, período de maior sensibilidade ao agente.

Ari Donato