Bahia explora vantagens e negócios (A Tarde)

16/10/2006

Bahia explora vantagens e negócios

 

As vantagens do cultivo de pinhão-manso estão sendo estudadas na Bahia pela Indústria Brasileira de Resinas (IBR), que tem um projeto em fase de instalação para plantio de mais de mil hectares de pinhão e produção de biodiesel no município de Jacobina.

Em Andorinhas, também na Bahia, há estudos da possibilidade de emprego do pinhão-manso em projeto de diversificação produtiva para pequenas propriedades de dois hectares, onde a oleaginosa deverá ser plantada em consórcio com uma forrageira (capim bufel) em áreas onde o solo não é adequado para o cultivo da mamona.

“A idéia é aumentar a capacidade de alimentação para os rebanhos caprinos, que são a base da economia do município e estar em condições de integrar iniciativas de produção de biocombustíveis”, explica o técnico em agropecuária da Prefeitura de Andorinha Sivaldo da Silva Gomes.

“Existe hoje, uma corrida pelo cultivo de pinhão-manso no semiaacute;rido, mas é bom salientar que as pesquisas com a planta na região ainda são bem recentes e é preciso ser prudente e buscar as informações técnicas já disponíveis para que não se venha a montar sistemas de produção insustentáveis”, adverte o pesquisador Marcos Drummond.

Estudos indicam que, além de produzir sementes oleaginosas, o pinhão-manso pode ser utilizado como substituto do arame, nas cerca vivas, sendo invulnerável aos pequenos e grandes animais que não tocam a planta devido o látex cáustico. Serve ainda para conservar o solo, por cobrir a terra com camada seca, reduzindo a erosão e a perda de água por evaporação, para evitar enxurrada e fornecedor de matéria orgânica decomposta.

“As pessoas usam o pinhãomanso como cicatrizante, purgante e lubrificante leve”, enumera o pesquisador José Barbosa. Também, usam as raízes como diuréticos e antileucêmicos; as folhas no tratamento de doenças de pele. O pinhão-manso é utilizado também contra reumatismo.

As sementes, apesar de serem usadas como purgativos, podem causar intoxicação em criança e adultos e, se ingeridas em excesso, há perigo de morte. Segundo os pesquisadores, “a ingestão de uma única semente fresca de pinhão-manso pode causar vômito e diarréia com efeito drástico”.

Em Petrolina, outro empreendimento privado, pertencente à empresa Biodiesel do Vale do São Francisco (750 quilômetros de Recife) vai processar biodiesel a partir de mamona e pinhão manso.