FORRAGEM
Uma consorciação de capim braquiária (Brachiaria decumbens)e a leguminosa estilosantes campogrande (Stylozanthes capitata + Stylozanthes macrocephala) tem apresentado resultado expressivo na Fazenda Experimental de São Gonçalo dos Campos, da Escola de Medicina Veterinária, da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Estudos feitos pela unidade Gado de Corte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deram partida a uma pesquisa sobre o assunto, coordenada pelo professor Edgar Faria, da escola, que coordena as fazendas experimentais da unversidade.
“No cerrado, o consórcio da leguminosa com a gramínea gerou 20% de ganho de peso no gado de corte e dispensou o uso de adubos nitrogenados”, afirma o professor.
Segundo ele, o modelo tem se adaptado bem no Recôncavo baiano, que possui solo arenoso, profundo, leve e de média fertilidade.
A região já foi a maior bacia leiteira do Estado, posição perdida para as regiões do extremo sul e sudoeste.
Mas, diz o professor, o potencial de municípios como Amélia Rodrigues, Cruz das Almas e Santo Amaro continua valendo.
“Temos chuvas bem distribuídas e temperaturas favoráveis ao crescimento de forrageiras”, completa.
Ele explica o mecanismo de atuação conjunta das plantas testadas na fazenda experimental: “A estilosantes campo-grande é uma das poucas leguminosas que auxiliam a braquiária na fixação do nitrogênio, nutriente que a gramínea necessita mas tem dificuldade de captar. Além disso, é bem aceita pelo gado bovino, o mesmo que acontece com a braquiária”.
Segundo o professor, um hectare de pasto consorciado da braquiária com a leguminosa produz nitrogênio na mesma medida que duas toneladas de esterco bovino, cinco toneladas de cama de frango (serragem com esterco de frango) ou 200 quilos de uréia. O nitrogênio é um nutriente que recupera e mantém a fertilidade do solo.
“Na seca, o sistema consorciado dispensa complementos, como o feno e a silagem, e reduz custos”, completa, acrescentando que outra vantagem da consorciação é a alta produção de sementes: de 50 a 70 quilos por hectare.
Não há dados sobre aumento na produção de leite na Fazenda Experimental, onde são desenvolvidos o Programa de Difusão de Tecnologia em Pecuária Leiteira para o Recôncavo baiano e pesquisas sobre o sistema de pastejo rotacionado com capim tanzânia .