Mastruz, ou erva de Santa Maria, usado na cicatrização
Verminoses que impedem a cicatrização de feridas em animais domésticos e do campo também atacam o homem, informa o pesquisador Antônio Pereira de Novaes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que estuda o assunto há 30 anos.
Falando para A TARDE Rural, por telefone, ele contou que suas pesquisas começaram em 1976, logo que entrou para a Embrapa, ao se deparar com feridas crônicas em bovinos e eqüinos.
“Começamos a pesquisar os animais com ferida que demorava para ficar boa. O hábito era usar antibióticos, mas não dava bons resultados e a ferida piorava. Então, descobrimos que as infecções eram causadas por verminoses – as estefanofilárias – que atacam e machucam os vasos sanguíneos que atuam na cicatrização”, diz.
O pesquisador Antônio Novaes acrescenta que a estefanofilária é transmitida por mosquitos, que pousam em feridas de bois, ovelhas e também animais de grandes portes, como elefantes e rinocerontes.
Nos cães, causa problemas cardíacos.
A descoberta de que a verminose ataca o homem aconteceu no ano passado, por meio de casos em pessoas próximas ao pesquisador.
“Minha mãe é diabética e, por conta disso, tinha uma ferida que não fechava. Um conhecido aconselhoua a utilizar a erva de Santa Maria e a ferida fechou”, conta.
Por curiosidade, o consultor da Embrapa foi procurar mais sobre a erva de Santa Maria (Chenopodium ambrosioides L.), também conhecida por mastruço ou mastruz, e constatou suas propriedades vermífugas. Aplicou a erva em um garoto que sofria com uma ferida e a cura foi em uma semana.
Para aprofundar a pesquisa, Novaes investigou casos de úlceras crônicas em pessoas dos municípios paulistas de São Carlos e Ibaté e descobriu que se tratava da verminose que atinge os animais que ele estudara na Embrapa.
Os vermífugos estão em fase de teste em parceria com o Instituto de Física da Universidade de São Paulo em São Carlos (SP).