Uma forte fonte de energia
Este ano, os produtores rurais brasileiros deverão plantar de 15 mil a 20 mil hectares de pinhão-manso (Jatropha Curcas), em projetos que têm como finalidade a produção de óleo para ser transformado em biodiesel. A previsão é de Mauricio Möller, diretor da Rural Biodiesel, empresa de produção e comercialização de semente de pinhãomanso, em Eldorado (MS).
No Nordeste do País, em uma área de experimentos da unidade de Transferência de Tecnologia da Embrapa, no município de Petrolina (PE), pesquisas com plantio de pinhão avançam no sentido de oferecer alternativa ao produtor da região semiaacute;rida em período de seca. Uma das vantagens, destaca o pesquisador José Barbosa dos Anjos, é a produção de óleo combustível, extraído da semente, com caraterísticas semelhantes à do óleo diesel tirado do petróleo.
São cerca de 200 pés, plantados pela Embrapa para pesquisa em uma aérea irrigada e outra sem receber água. Cultivados há seis meses, os exemplares crescem e estão produzindo, independentemente de serem molhados. “Ao compararmos a plantação de pinhão que não recebeu água com a paisagem da caatinga, verificamos que há possibilidade de plantio em longos períodos de seca e mesmo em solos de baixa fertilidade”, afirma o pesquisador da Embrapa, José Barbosa dos Anjos.
O pinhão-manso é uma lavoura perene, segura e que pode render ao agricultor de 5 a 8 vezes mais que o leite ou outras culturas, podendo ser em consorciação com lavouras de milho e feijão, atesta o empresário paulista Osvaldo Aguiar, diretor das empresas Ponte di Ferro S/A, de Sidrolândia eMutum Agropecuária, de Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul.
Pesquisas da Embrapa mostram que as propriedades do pinhãomanso atendem às especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para produção do biodiese, daí a planta estar destacada para compor o programa de produção de combustível vegetal na região seca do Nordeste.
Segundo o pesquisador José Barbosa dos Anjos, “o pinhãomanso é uma planta de grande potencial, possui mais de 400 aplicações e o diferencial é que tem muita resistência à seca, suportando bem ao sol do Nordeste”.
Com 4 a 5 hectares dessa lavoura, o pequeno produtor rural pode sustentar sua família.
O pinhão-manso tem um ciclo produtivo que se estende por mais de 40 anos. A mamona, por exemplo, produtora de óleo com uso em mais de 400 produtos da indústria química, precisa ser replantada em período de um a dois anos, a depender das chuvas.
“Apesar do rendimento de 30% a 40% (abaixo da mamona, que rende de 45% a 50%), o pinhãomanso proporciona ao agricultor pelo menos 40 anos sem replantio, reduzindo custos e permitindo produção em larga escala”, ressalta Marcos Antonio Drumond, da Embrapa SemiAacute;rido.
PESQUISAS – Os testes em campos experimentais nos municípios de Senhor do Bonfim (BA), Petrolina (PE), Araripina (PE) e Nossa Senhora da Glória (SE) começaram há um ano e apontam possibilidade de safras de 200 kg a 250 kg por hectare nos primeiros sete meses após o plantio. As plantas atingem até dois metros de altura.
Os frutos produzidos são colhidos, debulhados e têm as sementes separadas das cascas para a seleção.
É a partir dessa seleção que os pesquisadores vão saber quais são as melhores plantas, que serão levadas para outras áreas.
Segundo dados da Embrapa, em países como Índia e Tailândia, onde é utilizado na produção do biodiesel, a colheita do pinhãomanso se dá apenas um ano após o plantio e alcança, no quarto ano, estabilidade em torno de mil quilos a dois mil por hectare.
Os pesquisadores esperam que no semiaacute;rido a produção alcance esta marca. E pelo fato de o agricultor investir apenas uma vez, na implantação da cultura, o índice de produtividade pode ser considerado bom pela escassez das chuvas, e ainda pode ter produção dobrada (2 mil kg a 4 mil kg/ha), se for em área irrigada.
José Barbosa dos Anjos destaca como sendo outra importante qualidade do pinhão-manso o fato de “o óleo da semente da planta ser parecido com o da colza, uma variedade de couve e da mesma família da canola, e que é muito usado na indústria química da Europa”