BB financiará derivativos na BM&F (Valor Econômico)

20/10/2006

BB financiará derivativos na BM&F


 

O Banco do Brasil e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) assinaram ontem (dia 19) um protocolo de intenções permitindo que agentes da cadeia dos agronegócios operem contratos futuros com financiamento bancário. Pelo acordo, o BB utilizará recursos do crédito oficial do Plano de Safra 2006/07 para financiar as negociações de contratos agropecuários.

Ruy Baron / Valor
 
Expectativa é liberar R$ 6 bilhões para financiar contratos agropecuários, diz Ricardo Conceição, do Banco do Brasil
 
Pelas regras, cada agricultor terá limite de R$ 100 mil para financiar as operações, com juros de 8,75% ao ano. Produtores vinculados a cooperativas terão limite de R$ 40 mil, com os mesmos juros. O financiamento vale para todos os contratos agropecuários operados pela BM&F - açúcar, álcool, algodão, boi, bezerro, café, milho e soja.

Ricardo Conceição, vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, disse que a instituição está ajustando seu sistema operacional para negociar os contratos da BM&F em suas agências no interior do país. Os produtores também poderão fazer negócios via internet, pelo site da bolsa. A BM&F ainda credenciará agentes para atuarem como corretoras em algumas praças do país.

"O banco quer oferecer essa opção aos agricultores e estimulá-los a se protegerem dos riscos de preços característicos do mercado futuro", afirmou Conceição. Ele observou que o produtor reluta em fazer seguro rural e ainda resiste em participar do mercado de derivativos, e que, por isso, corre muitos riscos. "Hoje o agricultor não é um cliente atraente para o sistema [bancário]. Mudar essa cultura de riscos é o maior desafio para nós".

Conforme Conceição, a proposta é estimular os agricultores a participar do mercado futuro e, em algum tempo, tornar a ferramenta obrigatória para quem toma o crédito oficial. Ele acredita que o banco estará apto para operar contratos em todas as agências do país até meados de 2007. A previsão do banco é utilizar R$ 6 bilhões de crédito oficial para financiamento desses derivativos no primeiro ano de funcionamento. "O uso massificado deve acontecer já na safra 2007/08".

"Esse será um divisor de águas para o negócio de derivativos agropecuários no Brasil", afirmou Manoel Félix Cintra Neto, presidente da BM&F. Ele estima que as negociações desses contratos triplicarão no período de um ano. Em 2005, a bolsa movimentou R$ 10 bilhões em contratos agropecuários e a previsão é alcançar R$ 12 bilhões este ano.

No acumulado de janeiro a setembro, a BM&F negociou 945,9 mil contratos, 21,1% mais que em igual período do ano passado. Em valores, houve expansão de 12,7%, para R$ 8,362 bilhões.

Ainda de acordo com Cintra Neto, a expectativa é que, a partir da parceria, outras instituições financeiras sejam estimuladas a aderir ao modelo de negócios. Em 15 de setembro, o Banco Central divulgou a resolução 3403, que permite aos bancos financiarem negociações de derivativos agropecuários com recursos do Plano de Safra.

Cibelle Bouças