Café baiano participa de concurso nacional
Um concurso interno de café de qualidade em Barra do Choça, a 542 km de Salvador, selecionou dez amostras – das 60 inscritas, para representar a região num evento nacional, em Salvador. O vencedor foi o pequeno produtor Nivaldo Silva Cruz, do sítio “Barra do Americano”, na localidade de Bela Vista.
Cruz possui 14 mil cafezais, numa área de 4 hectares (equivalente a 4 campos de futebol). Este foi o primeiro concurso do gênero promovido no interior do Estado. A final aconteceu no último dia 20.
Barra do Choça, maior município produtor de café do Norte e Nordeste do País, sempre se destacou pela qualidade do produto, justificando a premiação de 5ºmelhor café do Brasil, no I Concurso Nacional da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e a conquista de dois títulos de 1ºlugar em 2002 e 2ºem 2004 e 2005 no concurso de qualidade dos cafés da Bahia. Desta vez, para “afunilar” ainda mais as diversas amostras, a Secretaria Municipal de Agricultura lançou o desafio e criou uma espécie de pré-seleção.
O coordenador da etapa final do concurso, Sílvio Leite, presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), falou da liderança da Bahia quando o assunto é qualidade cafeeira. Para ele, Barra do Choça é determinante para a manutenção do Estado no ranking dos cinco maiores produtores do Brasil. Leite reconhece, no entanto, que ainda existe um potencial a ser desenvolvido. “Apesar dessa excelência, a Bahia ainda tem muito a apresentar para o mundo dos cafés especiais. Existe muito processamento aqui em Barra do Choça, na Chapada Diamantina, como também no oeste que poderão apresentar lotes e surpreender todo o mundo”, assegurou.
AVALIAÇÃO – Uma prova, assinalou, é o próprio concurso municipal, possibilitando a descoberta de novos sabores, novas nuances e novas tendências. “Além do lado do mercado, na figura do comprador, temos o do produtor, que busca o reconhecimento pelo que faz de bom, além”. Existe, ainda, o processo processo educativo para o produtor.
“Ele pergunta: meu café foi classificado? E a partir daí começa a provar sua marca e manter o padrão, ao mesmo tempo em que, quando não foi aprovado, ele parte para buscar o que houve de errado e toda essa cultura começa a ser questionada”.
Para o secretário de Agricultura, Ubirajara Amorim, disse que a intenção primeira foi destacar a qualidade do café regional e manter o reconhecimento nacional. O concurso foi dividido em duas etapas, com processos semelhantes – porém a final teve mais detalhes e apuração.
“A classificação passa por prova de sabor, paladar e de aroma, com classificadores preparados, aptos a definir os melhores cafés”, explicou.
O sistema é idêntico ao aplicado nos concursos estadual e nacional de café de qualidade. “Os produtores acreditaram no evento e tivemos 60 inscrições, sendo que no final, dez amostras foram rankeadas por juízes de renome nacional.
Esses dez vão participar da fase final do concurso estadual, com amplas chances de trazer para Barra do Choça os primeiros lugares”, destacou.
“Tudo isso agrega valor à qualidade e melhorando o preço no mercado internacional”. O concurso teve apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Assocafé, Empresa Baiana de Defesa Agropecuária (EBDA) e Cooperativa Agropecuária de Conquista (Coopmac).
JUCELINO SOUZA