Fiscalização apreende carnes
Com o matadouro fechado há dois anos, a população de Juazeiro é obrigada a consumir carne sem inspeção no Mercado Municipal Joca de Souza Oliveira. Os vendedores reconhecem o problema, mas dizem que não têm outra opção, enquanto a prefeitura alega que já existem oficialmente quatro empresas interessadas em explorar o abate de carnes no matadouro municipal e que só aguarda a aprovação do projeto pela Câmara de Vereadores.
Enquanto o problema não é resolvido, quem sofre é a população, obrigada a consumir carne sem origem comprovada. Na última sexta-feira, o Ministério Público, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e Vigilância Sanitária iniciaram um trabalho de fiscalização a mercados públicos e supermercados para verificar a procedência e higiene das carnes.
A ação gerou protesto dos comerciantes do Mercado Municipal Joca de Souza Oliveira, quando foram apreendidas carnes que estavam sendo vendidas sem higiene.
O material foi levado para o lixão da cidade e incinerado.
De acordo com o promotor público Pedro Araújo Castro, o problema é que os comerciantes continuam a comercializar as carnes em locais inadequados. “É preciso que as carnes estejam em refrigeradores com temperatura de 7º. Se não tiver ou não puder adquirir o freezer, que use caixas térmicas que possam conservar as carnes e evitar o contato com as bancas sujas, de madeira que podem gerar doenças ao consumidor, a exemplo de brucelose, toxoplasmose ou cisticercose”.
QUEIXAS – Em alguns freezers velhos e enferrujados havia carne estragada devido à ausência de refrigeração.
Apesar de reconhecerem a necessidade dos cuidados, muitos comerciantes não concordam como a fiscalização é realizada.
“Sabemos que eles estão certos, que a saúde das pessoas é coisa séria, mas o matadouro está fechado há dois anos. Por que só agora essa fiscalização foi realizada?”, questiona o comerciante Maurício Costa Alves, que vende carnes no mercado há 20 anos.
Para o comerciante Carlos da Silva Santana, que perdeu cerca de R$$ 4 mil após a fiscalização, “é injusto interferir no trabalho de uma pessoa que está lutando para sustentar a família e não tem nem mesmo as condições necessárias para esse trabalho”. As condições que ele cita são em relação à estrutura física do Mercado Joca de Souza Oliveira. Balcões antigos, com azulejos quebrados, piso irregular e muita sujeira espalhada pela área de trabalho de 45 comerciantes de carne, são alguns dos muitos problemas enfrentados pelos vendedores.
Os comerciantes são unânimes em afirmar que o fechamento do matadouro e o não-funcionano Araújo, supervisor do núcleo agropecuário da secretaria de Desenvolvimento Rural, diz que já existem oficialmente quatro empresas interessadas em explorar o abate de carnes no matadouro municipal e que a prefeitura só está aguardando a aprovação do projeto pela Câmara de Vereadores.
Os comerciantes tiveram um prazo de 90 dias, vencidos em julho, para adequar as instalações de comercialização das carnes e nada foi feito, salvo alguns poucos casos Os vendedores asseguram que não cumpriram a determinação do Ministério Público porque não têm recursos. De acordo com o promotor existem linhas de crédito nos bancos que podem auxiliar os comerciantes a conseguir dinheiro para que eles adquiram os balcões frigoríficos necessários para a conservação das carnes. Mas, o presidente da associação dos comerciantes Justiniano Félix informou que já procuraram o Banco do Brasil para tentar financiamento, mas “o banco só pode liberar se houver mudanças nas instalações que gere segurança para a negociação e isso depende da prefeitura, que nada faz”. O que deve ser feito com urgência, segundo o promotor, é a adoção de medidas para que o comércio de carnes seja desenvolvido em condições apropriadas.
mento de mercado construído há mais de sete anos e fechado por falta de verba para conclusão de obra, poderiam ser a solução para essa situação.
O secretário de Infra-Estrutura, Edson Tanuri, assegura que “os projetos de reestruturação dos mercados Joca de Souza Oliveira e Arnaldo Vieira com recursos em torno de R$$ 600 mil, já foram aprovados e estão com a Conder que garantiu iniciar a obra ainda esse ano”.
Fechado há dois anos, por falta de adequações estruturais para o abate de bovinos, caprinos, ovinos e suínos, o Matadouro Municipal provocou a proliferação de abates clandestinos na cidade e gerou a instauração de Inquérito Civil pelo Ministério Público. Geraldo SabiTécnicos da Vigilância Sanitária de Juazeiro transportam carnes apreendidas no mercado para a incineração.
IVAN CRUZ CRISTINA LAURA