2º Seminário de proteínas criando marcas
Especialistas internacionais acenam futuro promissor para demanda mundial de proteínas e defendem fortalecimento da marca da carne brasileira em evento promovido pela Elanco
Seminário reuniu em Campinas executivos da cadeia produtiva das carnes bovina, suína e de aves, representantes de entidades, formadores de opinião e acadêmicos.
Executivos da cadeia produtiva das carnes bovina, suína e de aves, representantes de entidades, formadores de opinião e acadêmico participaram na última sexta-feira, dia 20 de outubro do 2° Seminário de Proteínas Criando Marcas - Um passo à frente, promovido pela Elanco Saúde Animal, em Campinas. O evento deu continuidade à proposta de fortalecer a marca da proteína brasileira no mercado mundial iniciada com o primeiro seminário em 2004.
Nesse segundo seminário, especialistas internacionais em mercado global fizeram apresentações acenando um futuro promissor para a demanda mundial de produtos à base de proteína animal e a importância de questões como segurança alimentar, rastreabilidade e fortalecimento de marcas para conquistar esse mercado.
O consultor inglês em nutrição animal e segurança alimentar, Jon Ratcliff apresentou um panorama sobre o acesso ao mercado internacional de proteínas e os fatores que podem impactar na segurança dos canais e garantir o acesso ao mercado.
"A demanda global de proteína vai aumentar. O maior crescimento será no consumo de carne de aves, mas haverá um aumento significativo para carnes bovina e suína. As perspectivas são positivas, porém o maior crescimento se dará entre consumidores de países de terceiro mundo, como Índia e países da Ásia, que são mercados de baixa renda. Com a perspectiva de aumento de renda, essa população que possui uma alimentação principalmente vegetariana e não muito nutritiva, a tendência é que passe a consumir mais proteína", projeta Ratcliff.
Para garantir, porém, o acesso a esses novos mercados e conquistar um espaço nos mercados de produtos com maior valor agregado, o consultor defende a importância de seguir exigências regulatórias e o fortalecimento e proteção de marcas por meio de segurança alimentar e rastreabilidade. E garante: "O Brasil é quem vai determinar o que vai ser feito no mercado: se criação de suínos será extensiva, se a queda de ovos produzidos em gaiolas, se o boi será de capim. Por isso, é importante o Brasil superar desafios de ordem sanitária, evitar resíduos, trabalhar as questões ambientais como o problema da devastação da Amazônia e garantir o bem-estar animal", afirma o especialista.
Para auxiliar no processo de criação e fortalecimento da marca da carne brasileira, o gerente de marketing da América Latina da Intel, David Gonzalez apresentou o case da empresa que conseguiu diferenciar a marca Intel de processadores em um ambiente de alta competitividade. Gonzalez defende a necessidade de se realmente investir em marketing e trabalhar no conceito de marca para que se venda um nome, uma identidade, uma promessa de valor e não somente volume de produtos.
O professor de Gerência Internacional, Gerência Estratégica IT e Estratégia Corporativa da Universidade da Carolina do Norte (EUA), Peter J. Brews, especialista em competitividade global alertou a cadeia produtiva da carne brasileira sobre como garantir o sucesso e a perenidade da proteína do Brasil no mercado mundial. "Se o Brasil quiser ser líder mundial na produção de proteínas, não pode querer ter somente o custo mais baixo e conseqüentemente oferecer o menor preço ao mercado. Precisa ter a capacidade de agregar valor e construir a sua marca. É isso que vai garantir a competitividade no mercado global", afirma Brews.
Segundo ele, é preciso moderar o grau de subsídios interno para que o crescimento tenha sustentabilidade e é necessário encontrar formas de contornar os subsídios externos. "É preciso inovar sempre para garantir a competitividade. O Brasil pode deixar de ser um fornecedor de commodities para oferecer soluções integradas ao mercado. Para isso, é preciso estarpreparado para atender regulamentações de todo o mundo e fortalecer a marca do seu produto", diz Peter Brews.
O diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento Global e de Operações dos EUA para Elanco, Jeff Simmons defendeu que quem investir para fortalecer sua marca terá um futuro promissor. "As marcas precisam se diferenciar por suas características positivas e conquistar a confiança do consumidor. Para isso, é preciso inovar constantemente e ter sempre uma base científica", afirma Simmons. Ele vê o Brasil como o potencial líder mundial de fornecimento de proteína por apresentar vantagens de custos de produção, ter condições de desenvolver os biocombustíveis e pela capacidade de exportação. Para otimizar essas características, segundo ele, é necessário investir na imagem da carne brasileira.
US$ 3 milhões investidos em fábrica modelo Ao final do 2º Seminário de Proteínas Criando Marcas, a Elanco do Brasil, Elanco do Brasil, divisão de saúde animal do laboratório Eli Lilly and Company, inaugurou sua nova fábrica modelo, localizada em Cosmópolis, a 30 km de Campinas.
"Essa nova fábrica faz parte do nosso compromisso assumido no primeiro seminário em 2004 no sentido de aprimorar cada vez mais nossas práticas industriais e oferecer ao mercado produtos com qualidade máxima e fazendo uso de tecnologia de ponta", afirma o diretor industrial da Elanco, Jacó Tormes.
A Elanco investiu cerca de US$ 3 milhões em novas tecnologias na área de produção, entre elas um misturador de última geração - Rollo Mixer -, o único na América Latina. Projetado dentro da mais alta tecnologia, o Rollo Mixer foi desenvolvido para gerar um alto grau de homogeneidade do produto final, mesmo operando com sua carga máxima (10 mil kg) e em poucos minutos. Um dos principais benefícios do investimento realizado é a garantia de nenhuma interferência humana no envase dos sacos, reduzindo o risco de contaminação das moléculas e maior segurança para quem manipula.
"O produtor de alimentos e os animais com os quais eles se preocupam necessitam de produtos confiáveis que se diferenciam pela excelência em sanidade animal, otimizando a performance e custo de produção.