MP da soja não anima produtores
A Medida Provisória 326 – anunciada esta semana pelo governo federal e que garante a liberação de R$ 1 bilhão para apoio à comercialização de parte da safra de soja 2006/2007 – não animou os sojicultores da região do cerrado baiano, no oeste do Estado. O primeiro leilão está previsto para acontecer na próxima sexta-feira, com a oferta de um milhão de toneladas.
A região, que plantou 870 mil hectares de soja na safra 2005/2006, deve reduzir a área para 850 mil hectares na safra atual.
De acordo com o consultor de agronegócios da Maia Consult, Ivanir Maia, a MP 326 não deve alterar em nada a intenção de plantio e elevar a área.
A medida, segundo o trader da Assessoria e Mercado de Grãos, Luiz Carlos Fagundes, não trará nenhum benefício imediato aos produtores, “porque, conforme observamos nos editais, o dinheiro não vai ser liberado após os leilões, mas só depois da comercialização, o que deve ocorrer somente no ano que vem, e isso não vai amenizar os problemas que muitos produtores estão enfrentando para viabilizar o plantio agora”.
LEILÃO – O dinheiro previsto na Medida Provisória 326 será usado em leilões nos modelos Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agrícola Oriundo de Contrato Privado de Opção de Venda (Prop) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) com base no preço de R$ 22,50 a saca de soja. As duas modalidades permitem a venda antecipada do produto, que na região do cerrado baiano ainda está em fase de plantio.
Entretanto, de acordo com Luiz Carlos Fagundes, este tipo de leilão ainda é muito burocrático, o que afasta a possibilidade de maior participação dos produtores. “Para ajudar os sojicultores o governo deveria promover algo mais acessível”, diz Fagundes.
Ele destaca ainda que atualmente o preço da soja está estabilizado em R$ 26 a saca de 60 quilos e diz que apenas cerca de 2% da soja produzida na safra passada ainda está na região para ser comercializada.
No início da safra 2005/2006 a saca estava sendo comercializada em torno de R$ 20.
Como especialista no assunto, Luiz Carlos Fagundes enfatiza que a tendência para o ano que vem novamente ter melhores preços no segundo semestre do ano. “O produtor que conseguir guardar soja para a segunda metade do ano vai ter a chance de ter lucros maiores”, acredita Luiz Carlos Fagundes.
MIRIAM HERMES