Algodão lidera expansão da safra no oeste baiano
Uma ligeira ampliação da área cultivada no oeste baiano deve ser registrada no ano que vem, por conta da expansão da plantação de algodão.
No final da safra 2006/07, serão 1.547.000 hectares, frente aos 1.522.000 hectares atuais. A estimativa é da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). O aumento da área é impulsionado pela cultura do algodão, que deve registrar cerca de 975 mil toneladas na próxima safra, ante aos 771,9 mil apurados atualmente.
A assessora de agronegócios da Aiba, Carolina Magnabosco, explica que o desempenho do algodão baiano é impulsionado pelo mercado externo. “Os produtores apostam no mercado futuro, pois os preços do algodão são regulados pela Bolsa de Chicago”, conta. O desempenho do algodão faz com que outras culturas da região tenham suas áreas reduzidas.
É o caso da soja. A cultura vai perder 20 mil hectares de área cultivada, com expectativa de fechar a safra 2006/7 com 850 mil hectares.
Porém, a redução não deverá vir acompanhada de queda na produtividade.
O uso de tecnologia intensiva na região dá fôlego à previsão de um aumento de 28,5% da lavoura, com 2,550 milhões toneladas para o período.
Os produtores estão otimistas em relação à próxima safra, pois o desempenho do agronegócio baiano deve ser positivamente afetado pelo fenômeno El Niño, que trará chuvas à região oeste. As produções de soja, milho, algodão, café e outras variedades devem fechar a safra 2006/7 com 28,1% a mais de produtividade, com 4,919 milhões de toneladas, aproximadamente.
Carolina Magnabosco ainda acrescenta que em relação às demais culturas, nesta primeira estimativa, a Aiba trabalha com a manutenção das áreas, considerando que há um atraso no planejamento dos produtores, em decorrência da necessidade da renegociação dos financiamentos da safra anterior, além de contingências como as greves dos bancos e dos cartórios.
SOJA – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detectou, através do Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA), uma ligeira retração no montante de algodão produzido pelo Estado, no acumulado do ano até outubro, em relação ao mesmo período do ano passado. Uma queda de 822 toneladas para 810 toneladas, o que representa 1,4%.
Dentre os grãos produzidos na Bahia, a soja registrou uma das maiores retrações de produtividade: uma queda de 2.401 toneladas para 1.991 toneladas. A redução foi de 17,09%, seguindo a mesma base de comparação. O tecnologista da superintendência de pesquisa agropecuária do IBGE, Josiel Moraes, credita o desempenho da soja a fatores climáticos. “Porém, também pesa a migração dos produtores para o algodão, cultura que está apontando para uma lucratividade maior”, destaca Moraes.
O levantamento realizado pelo IBGE ainda dá conta que produtos tradicionais da pauta de exportação baiana também não emplacaram no período. A produção de cacau registrou retração de 16,04%, com 137,4 toneladas produzidas.
Já a produção de coco teve queda de 12,95%. Foram cerca de 615 mil unidades do fruto extraídos no período, contra 707 mil colhidos de janeiro a outubro do ano passado.
PAÍS – A safra brasileira de grãos deve atingir, em 2007, 122,391 milhões de toneladas, o que representa incremento de 5,34% em relação a 2006. A projeção faz parte do primeiro prognóstico da agricultura para o ano que vem elaborado pelo IBGE. Segundo o instituto, a recuperação frente a 2006 deve ocorrer porque, no próximo ano, os agricultores devem contar com preços mais vantajosos para vender a safra, devido à menor valorização do real ante o dólar, e os produtos terão ainda melhores condições de crédito.
Além disso, o IBGE aponta que o início da safra conta com um clima favorável. Cerca de 30% das culturas já foram plantadas. A soja deve registrar em 2007 um aumento de 5,5% na produção em relação a este ano e atingir 55,238 milhões de toneladas. Para o milho, a produção deve ser 9,65% superior no ano que vem ante 2006. Já a área plantada total em 2007 deve ser de 44,981 milhões de hectares.
LUIZ SOUZA