Estação experimental trabalha melhoramento em animais
Com uma estrutura moderna, o centro de manejo da unidade conta com 349 bovinos em uma área de 248 hectares
A Estação Experimental Manoel de Souza Machado, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a nove quilômetros de Itambé, é referência em desenvolvimento de pesquisas para o melhoramento genético do rebanho bovino baiano, através do manejo racional antiestresse. O trabalho, idealizado pela Diretoria de Pecuária, vem sendo desenvolvido com a raça nelore, com planejamento e supervisão do consultor Mateus Paranhos, zootecnista da Unesp, em Jaboticabal.
Essa nova tendência visa o bem-estar animal, que é pré-requisito para atender a uma proposta moderna de produção de carne exigida pelo mercado interno e externo. A redução de riscos para o homem, o ganho de peso mais rápido e a redução da perda de animais durante o manejo são outras vantagens preconizadas pelo manejo racional antiestresse.
O presidente da EBDA, Joaquim Santana, informou sobre a disponibilidade da empresa em atender a todos os requisitos para a implantação do novo projeto. "A pecuária baiana tem sido alvo da preocupação do governo estadual e vemos nesse método o futuro de uma pecuária intensiva saudável e rentável. Toda a cadeia produtiva sairá ganhando com essa inovação, pois a Bahia a cada dia dá um passo a caminho para o reconhecimento de ser um dos maiores exportadores de carne do país", afirmou.
AÇÕES
– "Um animal sem estresse oferece produtos de melhor qualidade, mais segurança ao homem na lida diária e maior rentabilidade", explicou o diretor de Pecuária da EBDA, Francisco Benjamim Filho. Para atender à demanda, o projeto de modernização contempla duas ações de infra-estrutura, fundamentais no aperfeiçoamento e funcionalidade do manejo. "As ações elevam a eficiência e a lucratividade, servindo ainda como parâmetro às demais propriedades rurais da região de Itambé", disse.A primeira ação, em andamento, é o projeto de implantação de um curral de linhas circulares bastante funcional para o manejo antiestressante, destinado às práticas de separação de animais, apartação de bezerros, castração, inseminação artificial, monta controlada, avaliação de fenótipo, embarque para viagens e outras atividades próprias do manejo diário.
Outra ação é o projeto para adoção de pastejo rotacionado/protelado, também funcional, embasado na divisão e subdivisões de pastagens com cerca elétrica, formando piquetes com áreas dimensionadas, obedecendo a critérios como topografia, fertilidade do solo, distribuição de água, tamanho dos lotes por categoria animal, acesso ao centro operacional de manejo e infra-estrutura física.
Com um trabalho pioneiro, realizado pela EBDA, e uma estrutura moderna e avançada, o centro de manejo da Estação Manoel Machado conta com um rebanho de 349 animais e uma área de 248 hectares, e garante 100% de bem-estar ao animal.
Criada na década de 50 para desenvolver a suinocultura e a pecuária de leite, a estação teve seu foco redirecionado para a pecuária de corte, em 1955, devido à tradição dos pecuaristas com gado de corte e ainda pela falta de estrutura na região para absorver a produção de leite e de carne suína. Nessa mesma época foi definida a raça nelore P.O. (puro de origem) para o rebanho da estação, onde se passou a desenvolver o melhoramento racial.
Material genético
A partir de 1970, com o avanço dos métodos de inseminação artificial, a EBDA começou a utilizar material genético de Kavardi, através da progênie POI (puro de origem importado), de maior expressão, juntamente com o sêmen Chumack, que produziu os primeiros raçadores do plantel da Manoel Machado, destacando-se os reprodutores Príncipe 4370 e Evaru. Nesse ponto, o rebanho começou a crescer com a influência da linhagem Akasamu/Padhu, uma das mais respeitadas em todo o país.
Esse banco genético, de excelente qualidade, vem respaldando os trabalhos de melhoramento genético da raça bovina nelore P.O., desenvolvidos pela EBDA, na Estação Manoel Machado, que ao longo dos anos tem contribuído com a evolução da atividade de bovinocultura na Bahia. Atualmente, mantém quase 40% do seu rebanho fechado em Akasamu/Pahadu, enfatizando a heterose entre a linhagem baiana e com outras linhagens comerciais.
Inseminação artificial
A reprodução animal é feita via inseminação artificial e em sistema de monta controlada, utilizando-se sêmen e reprodutores de elevado mérito genético para assegurar a manutenção de um plantel com características zootécnicas de alta produtividade.
A estratégia é manter as condições naturais de criação do rebanho, herdeiro de uma carga genética que permite obter resultados surpreendentes em condições adversas. Os avanços são acompanhados internamente através do Controle do Desenvolvimento Ponderal (CDP).