Limpeza dos campos aumenta 9% (A Tarde)

13/11/2006

Limpeza dos campos aumenta 9%

 

Este ano, em todo o País, já foram processadas 16.437 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, segundo balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). Entre janeiro e setembro passados, a marca chegava a 15.206 toneladas, enquanto de janeiro a outubro de 2005 foram 15.074 toneladas.

Os números nos primeiros dez meses deste ano representam um volume 9% maior em comparação ao mesmo período do ano passado. Após quatro anos de iniciado, o recolhimento de embalagens vazias de produtos fitossanitários tem se destacado entre os programas dessa natureza em pelos menos 30 outros países, segundo dados do inpEV.

As 350 unidades de recebimento do Brasil destinam 84% das embalagens primárias que foram colocadas no mercado, enquanto o Canadá destina 70%, a Alemanha chega a 55%, a França destina 40% e os Estados Unidos, 20%. Vários Estados brasileiros registraram crescimento de janeiro a outubro, entre os quais, Bahia (com taxa de 33%). Os demais foram Tocantins, Espírito Santo, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.As embalagens são recicladas e, atualmente, geram cerca de dez artefatos, entre os quais conduítes e dutos, sacos plásticos, vasilhames para óleo lubrificante, economizadores de concreto, usados na construção civil, e caixas para baterias.

CAMPO LIMPO – O governo do Estado da Bahia desenvolve o Projeto Campo Limpo, com um trabalho intensivo de recolhimento de embalagens vazias dos agrotóxicos e, em paralelo, promove a conscientização do produtor para que dê o destino adequado a esse material.“Esses recipientes guardam resíduos tóxicos, que contaminam o solo, lençóis freáticos e a saúde do homem do campo”, adverte Cássio Peixoto, diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
Ele diz que, no início do projeto, todo o Estado da Bahia foi mapeado e os principais pólos produtores agrícolas “estrategicamente escolhidos” para instalação das centrais de recebimento.

"Recentemente, durante uma apresentação na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo, a Bahia foi considerada destaque nacional pelos resultados alcançados com o Campo Limpo no Estado”, disse o diretor da Adab.

A primeira central foi implantada em 2001, no município de Barreiras. As demais estão em Ilhéus, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista, Irecê, BomJesus da Lapa e Conceição do Jacuípe.
O programa Campo Limpo promove, ainda, treinamento de produtores, com a realização de palestras educativas. O objetivo é envolver a comunidade rural, desde escolas públicas até agrotécnicas, alertando sobre a necessidade de retirar do campo o material tóxico, para que seja reciclado.

Durante o primeiro semestre deste ano, a Adab realizou seminários com o objetivo de incrementar o recolhimento dos recipientes em 12 municípios.

ARI DONATO