Pesquisa única do mal-das-folhas (A Tarde)

13/11/2006

Pesquisa única do mal-das-folhas

 

A seringueira é uma árvore típica da Amazônia. Nas verdes áreas da região Norte, a planta convive tranqüilamente, por causa do equilíbrio ambiental, com o chamado mal-das-folhas, provocado pelo fungo Microcyclus ulei.

Quando foi transportada para a Bahia, em meados de 1950, pela Firestone, a seringueira trouxe o fungo em suas folha, que logo devastou a lavoura. A Michelin, ao adquirir a área em 1984, tinha consciência de que precisaria não apenas fazer o replantio, mas providenciar clones resistentes. Mais de mil hectares tinham sido destruídos. Hoje, cerca de US$ 1 milhão são investidos por ano pela empresa. De acordo com Carlos Mattos, gerente de pesquisas, esse é o único trabalho de estudo do fungo no mundo inteiro, cujos primeiros resultados saíram em 2003.

Em 2004, durante o primeiro evento internacional sobre o Microcyclus no Brasil, pesquisadores e organismos de pesquisas firmaram parcerias para ampliar o leque de estudos. A luta é para que a doença não chegue à Ásia, maior produtor mundial. “Quando isso acontecer, pode causar escassez em nível mundial e uma crise social”, alerta o pesquisador.

A equipe da Michelin descobriu 40 variedades do fungo, só em sua área, e 43 variedades da seringueira sem resistência ao fungo. Treze variedades foram desenvolvidas e três clones escolhidos para serem utilizados nas propriedades da Costa do Dendê e nas plantações da empresa no Mato Grosso. Foram levadas amostras para a França, onde ficarão em quarentena durante um ano e depois seguirão para Ásia e África. “Um dia esse fungo vai chegar lá, e é preciso que os países estejam preparados para o combate”, frisa Carlos Mattos.

Especialistas da França estudam o genoma da seringueira. “A biologia molecular reduz o tempo de novas descobertas e traz maior confiabilidade”, assegura. Uma reserva da Mata Atlântica de três mil hectares foi criada pela Michelin dentro da sua propriedade.

A bióloga Juliana Laufer é a responsável pela vigilância da reserva e coordena projetos de enriquecimento da biodiversidade (plantio de mudas nativas), pesquisa da biodiversidade (convênios com universidades, organizações não-governamentais e instituições de pesquisa) e educação ambiental.

A empresa concede bolsas de estudo para que pesquisadores estudem a fauna e a flora da reserva, que inclui trilhas ecológicas e a cachoeira de Pancada Grande, a maior do litoral baiano, aberta à visitação pública.