Organismos "indesejavéis" enroscam-se em redes de emalhes (Seagri)

14/11/2006

Organismos "indesejavéis" enroscam-se em redes de emalhes


Mestres e tripulantes de embarcações pesqueiras que atuam na pesca com rede de  emalhe  estão preocupados com a queda de rendimento pesqueiro devido ao acúmulo,  na  rede,  de  um  tipo  de briozoário semelhante a alga marinha. Segundo  o  pesquisador Gastão César Cyrino Bastos, gastao@pesca.sp.gov.br, do  Instituto  de Pesca, esses organismos têm sido chamados equivocadamente de  "esponjas". Ele explica que a incidência de tal briozoário compromete a malha  das  redes,  diminui  o rendimento das capturas e provoca atraso das operações de recolhimento da rede, devido ao tempo gasto em sua retirada da
rede.

Coletores  de  dados  pesqueiros  do  Instituto  de  Pesca  informam  que a ocorrência  desse  briozoário  parece concentrar-se entre 15 e 30 metros de profundidade,  da  Barra  de Santos a Juréia, Estado de São Paulo. Estelito Nunes,  que  coleta  dados  junto  às  empresas  de  pesca  do Rio do Meio, confirmou  que  o  problema ocorreu no início do ano com a frota de arrasto direcionada  à  captura  do  camarão-sete-barbas.  Já  o  coletor  Ezequiel Oliveira,  que  atua junto às empresas de pesca do Rio Santo Amaro, relatou que  o  problema também atinge a frota de arrasteiros médios e de parelhas.

Identificação do briozoário

Acácio Ribeiro Gomes Tomás, argtomas@pesca.sp.gov.br, também pesquisador do Instituto de Pesca, comenta que o organismo em questão é do gênero Electra, provavelmente  da  espécie  E.  belulla.  Sua  ocorrência é comum em todo o
litoral,  mas  de  fato  sua  biomassa tem aumentado significativamente nos últimos anos. Para Acácio, o problema não afeta diretamente apenas a pesca, mas   também  o  turismo,  uma  vez  que,  após  ressacas,  os  briozoários acumulam-se  em parte de franjas de areia das praias da ilha de São Vicente (SP),  particularmente  do  José  Menino  e  Itararé.  Porém, o pesquisador observa  que, apesar de indesejáveis à pesca e ao turismo, esses organismos desempenham importante papel para a reprodução e o recrutamento de espécies de crustáceos, moluscos e peixes. Não se conhece a causa da ocorrência, mas
pode-se  associá-la  a  fatores  de  origem  ambiental.  Em  outras  praias brasileiras,  há registros de ocorrência por alguns anos e retorno só muito tempo   depois,   sem   quaisquer   indícios  de  influência  da  poluição. Finalizando,  Acácio  Tomás  recomenda  que, dentro do possível, se evite a captura  de  pescado  nas  áreas afetadas, nos períodos em que ocorre maior incidência desse tipo de briozoário.