Organismos "indesejavéis" enroscam-se em redes de emalhes
Mestres e tripulantes de embarcações pesqueiras que atuam na pesca com rede de emalhe estão preocupados com a queda de rendimento pesqueiro devido ao acúmulo, na rede, de um tipo de briozoário semelhante a alga marinha. Segundo o pesquisador Gastão César Cyrino Bastos, gastao@pesca.sp.gov.br, do Instituto de Pesca, esses organismos têm sido chamados equivocadamente de "esponjas". Ele explica que a incidência de tal briozoário compromete a malha das redes, diminui o rendimento das capturas e provoca atraso das operações de recolhimento da rede, devido ao tempo gasto em sua retirada da
rede.
Coletores de dados pesqueiros do Instituto de Pesca informam que a ocorrência desse briozoário parece concentrar-se entre 15 e 30 metros de profundidade, da Barra de Santos a Juréia, Estado de São Paulo. Estelito Nunes, que coleta dados junto às empresas de pesca do Rio do Meio, confirmou que o problema ocorreu no início do ano com a frota de arrasto direcionada à captura do camarão-sete-barbas. Já o coletor Ezequiel Oliveira, que atua junto às empresas de pesca do Rio Santo Amaro, relatou que o problema também atinge a frota de arrasteiros médios e de parelhas.
Identificação do briozoário
Acácio Ribeiro Gomes Tomás, argtomas@pesca.sp.gov.br, também pesquisador do Instituto de Pesca, comenta que o organismo em questão é do gênero Electra, provavelmente da espécie E. belulla. Sua ocorrência é comum em todo o
litoral, mas de fato sua biomassa tem aumentado significativamente nos últimos anos. Para Acácio, o problema não afeta diretamente apenas a pesca, mas também o turismo, uma vez que, após ressacas, os briozoários acumulam-se em parte de franjas de areia das praias da ilha de São Vicente (SP), particularmente do José Menino e Itararé. Porém, o pesquisador observa que, apesar de indesejáveis à pesca e ao turismo, esses organismos desempenham importante papel para a reprodução e o recrutamento de espécies de crustáceos, moluscos e peixes. Não se conhece a causa da ocorrência, mas
pode-se associá-la a fatores de origem ambiental. Em outras praias brasileiras, há registros de ocorrência por alguns anos e retorno só muito tempo depois, sem quaisquer indícios de influência da poluição. Finalizando, Acácio Tomás recomenda que, dentro do possível, se evite a captura de pescado nas áreas afetadas, nos períodos em que ocorre maior incidência desse tipo de briozoário.