Laranja e limão em perigo (A Tarde)

20/11/2006

Laranja e limão em perigo

 

A praga de greening é o pior mal para as frutas cítricas. O controle é tão difícil que a melhor solução para a erradicação é o corte e descarte das plantas.

Não há variedade de copa ou portaenxerto resistente à doença.

De origem provavelmente asiática, a doença impede a exportação na China e África do Sul e prejudica a produção nos Estados Unidos. No Brasil, os Estados de São Paulo e Minas Gerais já detectaram cerca de 350 mil plantas infectadas. Os primeiros casos no Brasil ocorreram em junho de 2004, quando produtores informaram ao Fundo de Defesa de Citricultura (Fundecitros) sintomas desconhecidos em pomares cultivados no interior paulista.

De acordo com a Fundecitros, foram erradicadas cerca de 350 mil plantas infectadas e estima-se que existam 450 mil suspeitas. A instituição, braço científico do ramo cítrico, já inspecionou em sua área de atuação (São Paulo e sul de Minas Gerais) 148 milhões de plantas dos pomares e, destas, reinspecionou 79 milhões.

A região mais contaminada é o centro do Estado de São Paulo, onde estão concentradas 75% das propriedades, com 96% das suspeitas em dez municípios.

Os 14% de suspeitas restantes estão espalhadas por 97 municípios.

No dia 29 de setembro, o Ministério da Agricultura publicou a Instrução Normativa nº 32, que inclui o produtor no combate à praga de greening. Ele deve fazer inspeções semestrais e comunicar os resultados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento em, no máximo, 15 dias após a vistoria.

A chefe da Divisão de Prevenção e Controle de Pragas do Ministério da Agricultura, Maria Júlia Signoretti, diz que há risco de a praga se espalhar. "A melhor medida de controle é não permitir a saída de mudas contaminadas. E a instrução normativa obriga a esse tipo de controle", reforça Maria Júlia.

Aos produtores da Bahia, a chefe do departamento federal recomenda não comprar mudas de citros dos Estados de Minas Gerais ou São Paulo sem que tenham a certeza da origem e sanidade das plantas.

Segundo Raul Magno, coordenador de Projetos Especiais de citros da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), a produção anual de laranja doce na Bahia é de 800 mil toneladas, em uma área de 50 mil hectares. Outras 46 mil toneladas, em uma área de 15 mil toneladas, são de limão.

EXPORTAÇÃO – O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitros), Adermeval Garcia, diz que a praga ainda não está atrapalhando a exportação. "As árvores eliminadas foram substituídas por plantios novos", justifica. Segundo ele, caso a doença se espalhe, os produtores podem sofrer baixas na exportação.

"É uma doença que não se sabe onde e em qual fase está. A depender do grau de atenção no manejo na propriedade, a plantação pode sofrer. É a praga mais grave que há na citricultura. A China tem essa doença e não exporta, os Estados Unidos têm essa doença e estão com bastante problemas", informa.

Marco Antonio dos Santos é um dos citricultores da região de Taquaritinga, em São Paulo, cuja lavoura sofre com a praga de greening. "Aqui é uma região que tem uma grande incidência dessa doença, mas estamos controlando. Em minha lavoura, não chega a 1%, porque quando eu vejo, erradico; mas há propriedades com até 20%", narra. Marco Antonio garante que segue as regras de combate: corta as árvores e faz pulverizações contra o inseto vetor.

JAIR FERNANDES DE MELO