Nordeste cresce com frutas e vinhos

20/11/2006

Nordeste cresce com frutas e vinhos

 

Em pleno sertão nordestino, produtores agrícolas comemoram o aumento de exportações de frutas e vinhos. No Vale do São Francisco, com técnicas sofisticadas de irrigação, o empresário Ney Dantas vende todas as uvas para os Estados Unidos, com a vantagem de ter mais safras do que em qualquer lugar do mundo. "Como as uvas são preparadas para produzir em qualquer condição climática, não dependemos das estações para produzi-las", diz. A produção do empresário alcança de 20 a 30 toneladas por hectare plantado, em Pernambuco. Também produz manga, a exemplo do que acontece em Petrolina e Juazeiro (Bahia). O Nordeste ganhou participação no PIB embalado principalmente pela agricultura. Os estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e Sergipe foram os que apresentaram os melhores resultados, segundo o IBGE. Para o gerente de Contas Regionais, Frederico Cunha, a região redescobriu a vocação de pólo fruticultor. O Rio Grande do Norte conta também com forte produção de melão. Programas sociais "O Nordeste segue seu caminho natural. Piauí e Maranhão ganham com a soja. Também tem o boom dos carros flex (bicombustível), que tem favorecido a cultura de cana", afirmou. Os programas sociais, segundo o IBGE, também definiram parte da melhora da economia, mas ainda não podem ilustrar uma tendência. Pelo menos por enquanto, a cidade de Acauã, no Piauí, vive o renascimento da economia, perdida quando a praga do algodão atrofiou o comércio e o consumo. O percentual de casas com aparelhos de som saltou de 9,25% em 2000 para 53,17% em 2005. Mais de 50% das famílias têm televisão, privilégio alcançado apenas por 14% dos lares em 2000. Com 87% da população beneficiada, Acauã é a cidade com a maior cobertura do Bolsa-Família do País. Mais de um terço das famílias passaram a ter ferro elétrico, produto que fazia parte de 14% das casas cinco anos antes. Liquidificadores tiveram o mesmo crescimento e podem ser usados por 37,6% da população. Programas sociais e temperatura de 38 graus no sertão com secas prolongadas elevaram as vendas de ventiladores, que passaram a aliviar o calor de quase metade dos lares. (S.L. - Gazeta Mercantil)

JAIR FERNANDES DE MELO