Seguro rural com ajuda do governo

20/11/2006

Seguro rural com ajuda do governo

 

Ao comprar um carro, o proprietário – seja por prudência ou obrigado pela instituição financeira – trata logo de contratar um seguro.
A medida evita que roubos ou acidentes joguem para o ar o dinheiro investido no veículo.
Na atividade rural, a utilização de seguros não é tão comum, diz Geraldo Mafra, diretor comercial da Seguradora Brasileira Rural (SBR), companhia especializada no segmento.
Mas, diz ele, o quadro começa a mudar porque o Banco do Brasil exige, em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, o seguro para a cultura da soja; e para o milho, em São Paulo e Paraná.
A falta de interesse no seguro rural é reforçada pela confiança de que, havendo catástrofes ou problemas com a lavoura, as dívidas serão renegociadas. “O produtor pensa: se der alguma zebra, eu renegocio minha dívida”, critica Geraldo Mafra, da SBR.
Para mudar o quadro e estimular a adesão ao seguro, o governo federal ampliou o volume de recursos dedicados ao Programa de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e melhorou alguns itens antes deficientes.
Segundo Andressa Beig Jordão, coordenadora do PSR, quem adere ao seguro por este caminho tem uma ajuda financeira do governo para pagar. “A seguradora recebe as propostas do produtor e envia ao ministério, que analisa se se encaixam nas exigências do programa”, detalha a coordenadora.
Quatro companhias (Nobre, Mapfre, Rural Brasileira e Aliança do Brasil) foram credenciadas pelo Ministério da Agricultura para vender o seguro, com subvenção do governo federal, ao produtor rural. No ano passado, os recursos foram de R$ 10 milhões, mas apenas R$ 2,5 milhões foram aplicados.
A justificativa do Ministério da Agricultura: o curto espaço de tempo (dois meses) para os produtores aderirem.
Pata este ano, foram reservados R$ 60,9 milhões – R$ 6 milhões utilizados até a semana passada.
Andressa Beig Jordão acrescenta que o governo ampliou a cobertura para todas as culturas, sendo que em 2005 eram apenas oito beneficiadas.
Os percentuais de cobertura da subvenção também foram incrementados.
Os limites financeiros passaramde R$ 7 mil (culturas temporárias) e R$ 12 mil reais (culturas anuais) para limite único de R$ 32 mil (veja tabela). Ou seja, um produtor só pode receber esse valor de subsídio. Cada companhia tem produtos variados que cobrem diferentes culturas, regiões do País e riscos climáticos. A Seguradora Brasileira Rural tem seu foco mais voltado para soja, milho, algodão e trigo.
Roberto Mafra, diretor comercial da empresa, dá o exemplo da cultura da maçã, cujo seguro cobre prejuízos provocados pelo granizo. “Se houver queda de granizo, o seguro paga pela quantidade da fruta que seria produzida por hectare e indeniza em relação às perdas na exportação e frutas de mesa.” A seguradora não tem clientes na Bahia, mas está negociando com produtores de soja da região de Barreiras.